Mostrando postagens com marcador fotojornalista. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador fotojornalista. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Fotojornalista será julgado na Tailândia por usar colete à prova de balas em cobertura


A justiça da Tailândia afirmou nesta segunda-feira (24/8) que julgará o fotojornalista honconguês Anthony Kwan Hok-chun por "posse ilegal de arma", após ele ter sido pego transportando um colete à prova de balas e um capacete enquanto cobria uma manifestação em Bangcoc no último domingo (23/8).

Segundo a AFP, Hok-chun cobria os acontecimentos após um atentado que deixou 20 pessoas mortas quando foi detido pela polícia da cidade. O fotojornalista foi libertado nesta segunda (24/8), mas a justiça tailandesa ressaltou que ainda irá julgá-lo por "posse de material militar sem licença".

Em um comunicado, o Clube de Correspondentes Estrangeiros da Tailândia (FCCT) demonstrou discordância com a atitude da justiça tailandesa. "Anthony Kwan Hok-chun é acusado de posse de arma ilegal, punida com até cinco anos de prisão, e será julgado por um tribunal militar. Os coletes à prova de balas e os capacetes utilizados pelos jornalistas não são armas ofensivas e não devem ser consideradas como tais".

Fonte: Portal Imprensa

terça-feira, 4 de agosto de 2015

SIP condena assassinato de fotojornalista mexicano e cobra investigação

Imagem: Reprodução Facebook


A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) condenou o assassinato do fotojornalista mexicano Rubén Espinosa e cobrou investigação sobre o crime para que os responsáveis sejam penalizados.

O presidente da entidade, Gustavo Mohme, disse à EFE que "o assassinato de Espinosa é um grave sinal da decadência e da violência que afeta o México e os jornalistas em particular", considerando lamentável o sucedido no local "onde ele [Rubén Espinosa] procurou refúgio para salvaguardar a sua integridade física".

O repórter fotográfico, de 31 anos, foi encontrado morto na última sexta-feira (31/7) junto com quatro mulheres, num apartamento da capital mexicana. O corpo possuía sinais de tortura. Ele prestava serviços para a revista Proceso, o jornal AVC Noticias e na agência Cuartoscuro, todas pertencentes ao Estado de Veracruz, no golfo do México.

A morte do fotojornalista ocorreu após ele ter sido vítima de vários ataques desde junho, quando denunciou às autoridades ter sofrido ameaças de morte. Este ano, três outros jornalistas foram assassinados no México: Filadelfo Sánchez Sarmiento, do Estado de Oaxaca, Armando Saldaña Morales e Moisés Sànchez Cerezo, ambos de Veracruz.

O presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação da SIP, Claudio Paolillo, criticou o "mecanismo ineficiente e fraco do México para proteger os jornalistas e o desempenho dos defensores dos Direitos Humanos."

Fonte:Portal Imprensa

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Primeira fotojornalista a cobrir a Faixa de Gaza relata os desafios da profissão

Por Portal Imprensa

Foto: Dennis Rivera


Contar em detalhes uma história escondida. Foi esse desejo que levou Eman Mohammed, 27, a começar sua carreira como fotojornalista, aos 19 anos. Ela é a primeira mulher a cobrir a guerra na Faixa de Gaza.

Refugiada Palestina, Eman nasceu na Arábia Saudita e cresceu em Gaza, onde iniciou seu contato com a fotografia. Com trabalhos publicados no Guardian, Le Monde, Washington Post, Haartez, e outros veículos internacionais, ela se dedica a documentar de perto o conflito Israel/Palestina.

À IMPRENSA, a fotojornalista falou sobre os desafios que as mulheres enfrentam no Oriente Médio, as dificuldades em cobrir zonas de conflito e como avalia a cobertura da mídia internacional na região.

IMPRENSA: Quando você decidiu se dedicar ao fotojornalismo?
Eman Mohammed: Eu comecei a me interessar pela carreira de fotojornalista aos 19, durante meu segundo ano na universidade, quando passei a trabalhar para agências de notícias locais e explorar os campos de mídia.

Como é ser a primeira mulher fotojornalista a cobrir a Faixa de Gaza?
O sentimento é amargo e doce ao mesmo tempo. Num primeiro momento não fazia qualquer sentido o porquê eu tinha de ser a primeira. E não ver fotojornalistas profissionais do sexo feminino em Gaza, diz muito sobre esta questão.

Foi um percurso muito instável, cheio de obstáculos e desafios pela predominância masculina no campo do fotojornalismo. Mas a aceitação e apoio de moradores me fizeram sentir muito melhor e mais confortável. Equilibrar-se em uma comunidade fechada e conservadora seguindo numa carreira controversa às tradições foi e ainda é muito complicado.

Seu trabalho como fotógrafa era considerado um insulto às tradições locais. Como lidou com o preconceito e o que significa para você passar por isso?
As pessoas normalmente temem o que elas não conhecem e, como uma reação muito esperada, a comunidade não foi apresentada a uma fotojornalista mulher até então. Uma vez que foi explicado e mostrei o meu modo de trabalho, sem ter violado nenhum valor cultural, tornou-se mais aceitável para as pessoas comuns. Eu lutava mais com os meus colegas do sexo masculino, que recusavam o fato de ter uma fotojornalista entre eles e ainda o fazem, de maneira mais sutil do que quando comecei a minha carreira. Ao longo do tempo, esse desafio aquece o meu coração e me mantém alerta no mesmo tempo.

Qual é o espaço para as mulheres cobrirem zonas de conflito atualmente?
Eu acho que o número de fotojornalistas no mundo aumentou rapidamente e isso é um grande começo para uma maior igualdade, especificamente nas áreas de conflito, onde as mulheres provaram que elas são capazes de fazer um trabalho realmente impressionante por conta própria. Os limites não são um problema como antes. Ainda temos um longo caminho pela frente para chegar ao ponto de não precisar "provar" que as mulheres são qualificadas nessas zonas tanto quanto os homens.

Quais são os maiores desafios de ser fotojornalista na Faixa de Gaza?
Cobrir notícias de natureza violenta, e estar ao mesmo tempo em uma situação para quebrar tabus. É como uma guerra fora e dentro da minha casa, a pressão dobra e torna-se uma missão impossível, às vezes.

Como você avalia a cobertura da imprensa internacional sobre a guerra em Gaza?
Mudou dramaticamente desde a primeira guerra em Gaza, o que com certeza ajudou o mundo a ter mais conhecimento sobre o que está acontecendo na Palestina com as suas próprias fontes. O que é mais assustador é que não teve um grande impacto sobre a ação do mundo. Agora a mídia está mais carregada com todo o tipo de fotografias e vídeos que saem de Gaza e, assim como na Síria, o mundo está perto e apenas assiste.

Há alguma história que te surpreendeu ao longo da sua carreira?
Eu diria que a primeira guerra sempre ficará na memória, marcada no meu coração. O dia em que tudo começou e eu testemunhei o meu mundo inteiro em colapso, o que se seguiu ajudou a moldar a minha carreira e personalidade ao mesmo tempo.

Raio-X do conflito  

Localizada na Palestina, entre Israel e o Egito, a Faixa de Gaza era o ponto de passagem para antigas civilizações e um entreposto estratégico no Mediterrâneo. Foi dominada pelo Império Otomano até a Primeira Guerra Mundial. Tanto os israelenses quanto os palestinos acreditam que Gaza pertence a eles, o que faz com que os conflitos nunca cessem.

Os israelenses acreditam que a região é dominada por invasores que fugiram de outras terras. Por sua vez, os palestinos nunca tiveram, de fato, um território. Por se concentrarem em Gaza quando eram refugiados, eles acreditam que a região já os pertence.
O confronto religioso é outro aliado. A Faixa de Gaza integra o território conhecido como Terra Prometida. Ambos os povos acreditam que o local é sagrado e não deve ser habitado por pessoas que não possuem a mesma crença.

Em julho de 2014, Israel lançou uma grande operação militar na Faixa de Gaza chamada "Borda de Proteção", com o objetivo de interromper o lançamento de foguetes palestinos contra Israel e de destruir a infraestrutura militar do Hamas e de outros grupos armados.

A ação marcou o fim do cessar-fogo que estava em vigor desde novembro de 2012, mas que era desobedecido desde dezembro do ano passado. O novo conflito deixou quase 2.200 palestinos mortos, em sua maioria civis.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Fotógrafo da AP morre após ataque cardíaco em campeonato de futebol americano

Portal Imprensa

Dave Martin, um veterano fotógrafo da agência americana de notícias Associated Press (AP), morreu após desmaiar em um campo do Georgia Dome enquanto cobria os últimos momentos de um campeonato de futebol americano universitário, em Atlanta. Ele tinha 59 anos.

Segundo a AP, Martin entrou no campo após a vitória do Texas A&M contra o Duke. Ele tirou fotos de Kevin Sumlin, da equipe do Texas, quando o atleta foi atingido com água pelos jogadores. Martin continuou tirando fotos até que desmaiou.

O fotógrafo sofreu um aparente ataque cardíaco e recebeu reanimação no campo, de acordo com o Georgia Dome. Ele foi transferido para o hospital Midtown Emory, onde morreu na madrugada da última quarta-feira (1/1).

"Dave Martin foi um grande fotojornalista, um profissional dedicado", disse o vice-presidente e diretor de fotografia da AP, Santiago Lyon.

Martin iniciou sua carreira como fotógrafo no jornal Lakeland Ledger, em Lakeland, Florida, em 1982. Ele integrou a equipe da AP em Montgomery, Alabama, em 1983. Em 2004, foi nomeado editor regional de estados do sul. Ele cobriu o furacão Katrina, o derrame de petróleo no Golfo do México, os conflitos no Afeganistão, Haiti e Iraque, além de eventos esportivos como o Super Bowl e Olimpíadas.

domingo, 29 de dezembro de 2013

Promessa de gente grande

Foto: Diego Nigro/Jornal do Commercio

Seção Ponto de Vista/Revista Imprensa. Ed.296

A pauta do dia era sobre carroceiros que usam tração animal no transporte e que em breve será proibida em Recife (PE). Já na comunidade do Arruda, uma das mais carentes da capital pernambucana, o fotógrafo e jornalista Diego Nigro, do Jornal do Commercio, acompanhou entrevistas da repórter até começar a produzir as fotos. "Eu estava tentando mostrar a precariedade deles. No desfoque, vi que o fundo estava se mexendo muito. Era um córrego cheio de lixo e vi uma criança nadando. A primeira impressão é que ele foi buscar uma bola, uma pipa. Deixei a repórter com o entrevistado e fui ver o que estava acontecendo", conta Nigro.

Já mais próximo à cena, o fotógrafo viu três meninos, o mais velho com 11 anos e o mais novo com 9. "Eles entravam no rio para recolher latinhas e ganhar R$ 2 por dia", diz. No mesmo dia, deu todo o dinheiro que tinha ao mais novo, Paulo, e fez uma proposta. "Promete não entrar mais [no córrego] que eu prometo te ajudar", revela. A foto foi divulgada na capa do Jornal do Commercio apenas dez dias depois. "A gente não queria dar apenas uma foto forte, mas também um texto bacana, uma matéria especial", conta o fotógrafo, que segue cumprindo a promessa que fez ao menino.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Opressão a fotojornalistas

"Nas manifestações deste ano eu tentei ficar mais de lado dos manifestantes e mostrar suas reivindicações . Todo veículo tem a sua escolha, essa foi a minha pessoal. Em uma cobertura de conflito, o lado certo é o que você não se machuque. Trabalho com fotojornalismo faz oito anos e neste ano foi a primeira vez que senti uma hostilidade muito maior por parte da polícia. Os profissionais de imprensa foram atacados por eles, um órgão de Estado, o que é mais preocupante".

Fabio Rocha Braga, fotojornalista da Folha de S.Paulo, revista Imprensa, ed.295.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

O relato de um fotógrafo espancado por 13 policiais

Por Pragmatismo Político

Yan Boechat foi violentamente agredido. Fotógrafo, Jornalista experiente, colaborador de veículos como Valor, GQ e IstoÉ, ele fez um impressionante relato em sua página do Facebook

Foto: Gabriela Batista

Um aumento de 172% nos casos de agressões, censura judicial e até assassinatos contra jornalistas é o que acusa o relatório para a Liberdade de Imprensa 2012-2013 da Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão). O período mensurado vai de outubro de 2012 a setembro de 2013.

Evidentemente as manifestações têm muito a ver com isso e o despreparo da polícia está registrado em centenas de vídeos na internet, com seus abusos de autoridade quase sempre acompanhados de agressão física contra repórteres, fotógrafos e cinegrafistas. Já entramos portanto no próximo período e outubro dá mostras que o relatório 2013-2014 poderá não ser muito animador.

Yan Boechat é mais um que engordará a estatística ainda a ser retratada. Parceiro de rua desde junho, encontrei Boechat novamente nesta última terça-feira, durante a manifestação pela educação. O clima estava tenso desde a saída e ainda na avenida Rebouças. Boechat me disse: “A vibe está estranha hoje.”

Pouco tempo depois a batalha campal começou e não o encontrei mais, nem mesmo na apoteose (o que não é raro, a violência se espalha pelas ruas e muitas vezes termina-se com quilometros de distância, nem todos voltam). No dia seguinte soube que seu pressentimento havia se confirmado. Boechat foi violentamente agredido. Jornalista experiente, colaborador de veículos como Valor, GQ e IstoÉ, ele fez seu relato em sua página do Facebook:

“Neste ano estive em diversos confrontos entre a população civil e as forças de segurança, em diferentes países. As mais violentas que acompanhei, inclusive, não se deram no Brasil. Quando estive na Tunísia, em fevereiro, fazendo uma reportagem sobre os dois anos do início da Primavera Árabe, o líder da oposição local, Cokri Belaid, foi assassinado. Sua morte mergulhou o país em uma semana de protestos, os mais violentos desde a queda do ditador Ben Ali. Foram dias e dias de embates ferozes pelas ruas de Túnis. Lá, como aqui, fotografei todos os acontecimentos, de perto, e nenhum policial fez, sequer, menção de me agredir.

Poucas semanas depois, já no Egito, a absolvição de policiais, que mataram dezenas de manifestantes em Alexandria um ano antes, fez com que a população voltasse às ruas para protestar contra o presidente Mursi. Foram noites e noites de confrontos extremamente violentos entre centenas de jovens e as forças de segurança nas imediações da Praça Tahrir. Em Alexandria e em outras cidades, naquela semana, mais de uma dezena de manifestantes foram mortos. Novamente, nenhum policial me agrediu.

É óbvio ser incorreto afirmar que nesses dois países que mal conhecem a democracia e não compreendem a noção que temos do Estado de Direito, a polícia não seja violenta. Ela é, e muito. Mas foi aqui, no Brasil, no meu país, onde existem leis que me protegem, em que a minha profissão é defendida por quem está no poder, onde a imprensa, em menor ou maior grau, é, sim, livre, que fui agredido por tirar uma fotografia.

Ontem fui espancado por um grupo de 13 policiais. Me agrediram com chutes, socos e cassetetes porque fotografei-os batendo de forma covarde em um dos voluntários do GAPP (Grupo de Apoio aos Protestos Populares). Foi uma agressão gratuita, que tinha como único objetivo me intimidar e impedir que eu praticasse o saudável e fundamental ato de registrar as coisas que acontecem em uma manifestação pública. Sou jornalista com mais de 15 anos de carreira. Já atuei em alguns dos principais veículos de comunicação do país. Já estive a trabalho em países que não prezam exatamente pela liberdade de imprensa, como Irã, Afeganistão ou Angola. Já fui intimidado, mas nunca espancado por forças de segurança do Estado.

Sempre pautei meu trabalho pela seriedade e pela ética que rege minha profissão. Em todas as manifestações assumo única e exclusivamente o papel de observador, de repórter, mesmo, em algumas circunstâncias, tendo a certeza de que injustiças são praticadas diante de mim, seja pelo lado da polícia, seja pelo lado dos manifestantes que, como os policiais, muitas vezes também se excedem. Seja aqui, seja em qualquer lugar do mundo. E, sim, gosto de estar perto da ação, tenho prazer em assistir ao vivo, com meus olhos, o desenrolar da história. (…). Fui agredido pela única razão de estar com uma câmera na mão diante do abuso de poder de um representante das forças de segurança.

Minha carteira da Federação Nacional dos Jornalistas, que ampliei e colei em uma antiga credencial para expor ainda mais minha condição, não foi nenhum impedimento para que o soldado da Polícia Militar iniciasse a agressão. Foi tudo rápido. Ele bateu no rapaz, me viu fotografando e disse:
‘Não me fotografa, filho da puta’.


Tentei mostrar minha carteira da Fenaj e gritei:

‘Estou trabalhando’

Ele levantou o cassetete e, antes de me acertar pela primeira vez, disse:

‘Eu também’ ”

Sou dos poucos que ainda saem sem máscaras contra gás (o capacete já faz parte dos acessórios básicos) mas preciso repensar isso. O futuro não parece promissor, como disse Yan Boechat, “a vibe está estranha”. Imagina na Copa.

Mauro Donato, DCM

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Repórter fotográfico da "National Geographic" destaca a importância de retratar a natureza

Considerado um dos mais importantes fotógrafos de natureza da atualidade, Luciano Candisani é conhecido pela produção de reportagens fotográficas para importantes publicações mundiais, como a edição principal da National Geographic.

O fotojornalista é autor de sete livros, entre eles “Pantanal Na Linha D’água”, lançado este ano. As diversas viagens para uma das maiores planícies inundáveis do planeta lhe renderam o prêmio do Museu de História Natural em Londres, na Inglaterra. A imagem ‘Na Boca de um Jacaré’, tirada no Rio Negro, foi a vencedora.

"Receber esse prêmio foi muito bom porque é o principal reconhecimento do fotojornalismo na natureza. Ganhei o primeiro lugar em uma das categorias e isso abriu portas para palestras no exterior. Assim, eu pude levar meu trabalho e as questões ambientais brasileiras para a discussão em lugares importantes da Europa", conta.

Segundo o profissional, o maior desafio de fazer imagens em ambientes naturais é produzir interpretações de eventos imprevisíveis e efêmeros. "A fotografia não é um registro frio da realidade, ela é um exercício de interpretação. Para fazer uma imagem, você busca as maneiras de expressar sua opinião sobre determinada história e situação", explica.

Candisani é o único brasileiro a integrar a Liga Internacional dos Fotógrafos da Conservação, criada nos Estados Unidos por fotógrafos e editores da National Geographic com o intuito de reunir um grupo de profissionais, dentro do jornalismo, que estejam voltados para o meio ambiente. Para fazer parte, é preciso preencher critérios como excelência fotográfica e capacidade de mover as pessoas em direção à conservação.

O fotojornalista conta que a organização realiza diversas expedições com profissionais. Eles viajam para áreas onde é urgente a divulgação de alguma ameaça ou potencial de criação de reserva.

Para ele, a profissão contribui de maneira relevante para a conscientização das pessoas sobre a importância da preservação. "A fotografia é uma grande ferramenta para expor opiniões e provocar mudanças. O que não é diferente na natureza", completa.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Fotógrafo corre o risco de perder a visão após ser atingido por bala de borracha

Sérgio Silva fazia  cobertura do protesto contra a alta da tarifa de transporte em São Paulo. (Foto: Kátia Passos)
Um fotógrafo, que fazia a cobertura do protesto contra a alta da tarifa de transporte em São Paulo ontem no centro da capital paulista, foi atingido por uma bala de borracha no olho e corre o risco de perder a visão.

Sérgio Silva trabalha para agência Futura Press e está internado no hospital Nove de Julho. De acordo com boletim médico, divulgado à familiares na madrugada dessa sexta-feira (14), suas chances de recuperação da visão do olho esquerdo são inferiores a 5%.

"Ele está sedado e estamos providenciando sua transferência para um centro médico especializado em oftalmologia", disse Kátia Passos, mulher do fotógrafo.

De acordo com ela, Sérgio estava na rua da Consolação, próximo a rua Maria Antônia, quando foi atingido pelo disparo. O fotógrafo foi socorrido por um professor que o acompanhava durante a manifestação.

Kátia voltava de viagem e ficou sabendo que seu marido havia sido atingido pelo disparo ainda no aeroporto. "Cheguei a falar com ele por volta das 19h30 e ele estava bem. Logo após isso tentei mais algumas vezes às 20h e às 20h30, mas sem sucesso. Acho que foi nessa hora que ele foi atingido", disse Kátia.

O protesto de ontem também deixou sete jornalistas da Folha feridos, dois deles com tiros de borracha na região do rosto. Os sete estavam identificados como profissionais de imprensa e passam bem.

A repórter da TV Folha Giuliana Vallone teve a região do olho direito atingida por uma bala de borracha e foi hospitalizada. A Folha repudia toda forma de violência e protesta contra a falta de discernimento da Polícia Militar no episódio.

domingo, 26 de maio de 2013

Fotógrafo do O POVO, André Salgado, morre ao cair de prédio em Natal

O fotógrafo do O POVO, André Salgado, morreu, na manhã deste domingo, 26, ao cair do 21º andar do Condomínio Jardins do Alto, localizado na zona Leste de Natal, no Rio Grande do Norte.

De acordo com informações do Instituto Técnico e Científico de Polícia (Itep), para onde o corpo foi levado, André, de 24 anos, estava fotografando amigos na sacada do 21º andar do edífício, quando, ao passar de uma laje para outra, se desequilibrou e caiu de uma altura aproximada de 100 metros. O acidente ocorreu por volta das 10h20min. Ele morreu instantaneamente.
Foto: Ricardo Araújo/Tribuna do Norte
A tia de André, Tânia Salgado, informou ao O POVO Online que o corpo já foi liberado pelo Itep, mas que ainda aguarda autorização do cartório para ser realizado o traslado pela funerária. Ela disse que o velório de André ocorrerá no Parque da Paz, provavelmente no fim da tarde desta segunda-feira, 27.

Dilson Alexandre, coordenador dos cursos de jornalismo e publicidade da Faculdade 7 de Setembro (Fa7), onde André cursava o último ano de publicidade, lamentou a morte do estudante, lembrando que ele era um jovem "muito alegre e criativo". "Amanhã será um dia de prestar homenagens ao André. Os colegas estão selecionando fotos tiradas por ele durante o curso para uma exposição, que será realizada em breve na faculdade", disse o coordenador.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Para deputado, há ligação entre as mortes de fotógrafo e radialista de MG


O fotógrafo freelancer do jornal Vale do Aço, Walgney Assis Carvalho, assassinado a tiros no último domingo (14/4), pode ter sido morto por ter informações sobre os possíveis autores da execução do radialista Rodrigo Neto, em 8 de março deste ano, segundo hipótese do deputado Durval Ângelo, presidente da Comissão de Direitos Humanos de Minas Gerais.

Em sua conta no Twitter, o deputado enviou uma mensagem para a ministra Maria do Rosário, da Secretaria Nacional de Direitos Humanos da Presidência da República. “A CDHumanos, logo após a morte do Rodrigo Neto, recebeu denúncias de q ele sabia autoria”, afirmou. “O Carvalho que foi agora assassinado tinha muitas informações. Falei dele quando você esteve no Vale”, continuou.

O delegado Wagner Pinto, chefe da delegacia de homicídios, foi para Ipatinga (MG) acompanhar as investigações e afirmou que é cedo para ligar os dois crimes, informou o Estado de Minas.

“Por hora estamos em fase inicial de investigação. Não temos nenhuma ligação ainda. Vamos analisar bem a dinâmica do crime e buscar elementos de convincentes para uma linha contundente”, disse o delegado.

Morte do Walgney Carvalho

Segundo os portais G1 e Terra, a Polícia Militar afirmou que por volta das 22h um homem encapuzado se aproximou e disparou três tiros à queima-roupa pelas costas do fotojornalista.

Após os disparos, ele saiu andando e depois pegou uma moto NX preta. Testemunhas disseram que na noite do crime perceberam a movimentação estranha de um homem que fazia muitas ligações pelo celular próximo ao local.

Morte de Rodrigo Neto
.
No dia 8 de março, o radialista e um colega estavam no "Baiano do Churrasquinho", no bairro Canaã, local que costumava frequentar. Quando Neto abria a porta de seu automóvel, dois homens em uma motocicleta, usando luvas e capacetes fechados, se aproximaram, dispararam e fugiram.

Segundo o portal R7, o delegado responsável pelo caso, Ricardo Cesari, afirmou que Neto foi atingido por cinco tiros.  O radialista chegou a ser socorrido com vida e foi levado para o Hospital Municipal de Ipatinga, mas não resistiu aos ferimentos e morreu. Ele era casado e deixa um filho.

Coincidências

O fotojornalista prestava serviços de freelancer para o Vale do Aço há cerca de cinco anos, na editoria de polícia. O radialista foi trabalhar no impresso uma semana antes de ser assassinado.

Apesar de cobrirem o mesmo tema, os dois não trabalharam diretamente juntos ou em uma pauta específica, apenas cumpriram a rotina do dia a dia. "Mas é muita coincidência. Na mesma cidade, mesmo veículo, tema e em um espaço de tempo tão curto. Os dois levaram tiros em áreas vitais, como a cabeça", comentou à IMPRENSA um funcionário do jornal, que não quis se identificar.

A equipe da publicação vive um clima de extrema preocupação e um sentimento muito forte de medo. As condições psicológicas de todos serão avaliadas.

"Fica também o sentimento de esperança que o Estado cumpra seu papel de dar uma resposta. Não para o jornal, não para os jornalistas, mas para a sociedade. O Estado tem o dever constitucional de esclarecer esses dois crimes e apontar quem são os culpados. Ele tem esse compromisso, essa responsabilidade, esse dever", completou.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Polícia registra segunda morte de jornalista no Vale do Aço


A polícia de Minas Gerais registrou mais uma morte de jornalista na região do Vale do Aço. O fotojornalista Walgney Assis, 43 anos, levou três tiros quando estava em um pesqueiro na cidade de Coronel Fabriciano, próximo a Ipatinga, onde, há cerca de um mês, o radialista Rodrigo Neto também foi assassinado.

Segundo testemunhas, Walgney foi morto por um homem encapuzado. De acordo com a Polícia Militar, na noite deste domingo, o homem entrou no local e, sem falar nada, disparou três tiros à queima-roupa contra Walgney, sendo que um acertou a cabeça da vítima. Ainda de acordo com a PM, testemunhas revelaram ainda que perceberam a movimentação de um homem próximo ao pesqueiro durante toda a noite do crime. Após os disparos, o homem deixou o local andando e depois pegou uma moto.

Walgney prestava serviços para o Jornal Vale do Aço e também fazia imagens de crimes para a Polícia Civil da região. Até o início da manhã desta segunda-feira, os suspeitos dos dois crimes não haviam sido identificados.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Um outro olhar sobre a redação

Igo Bione

O trabalho cotidiano nas redações de jornal é puxado. Sejam separados por paredes, por editorias, categorias ou não, nos vemos distantes - alguns por horas a fio - do nosso colega ao lado. Isolados pela concentração na apuração e na construção do texto, às vezes não estabelecemos sequer um contato visual direto com os companheiros de trabalho.

Vivendo esta atmosfera há quatro anos (1 ano e 3 meses no Jornal do Commercio), o fotógrafo Igo Bione, 27, resolveu quebrar a rotina das redações. Ele convida algum colega para o estúdio do JC e, despidos de qualquer coisa que possa tirar a atenção, os "modelos" são fotografados. Após edição - para serem colocadas em preto e branco, com objetivo de valorizar as formas - Igo publica o "falso nu" dos fotografados em sua página pessoal do Facebook. E o efeito é imediato.
Jacques Waller, do JC Online
"Em segundos a redação toda está gritando, sorrindo, brincando. Quebra a rotina. É massa!", comemora, diante do objetivo conquistado. Quase que diariamente algum repórter tem sua foto lançada no Facebook. "É uma forma de o repórter observar o seu colega ao lado, já que a correria diária muitas vezes dificulta isso. Cinco ou oito segundos que a gente para as coisas para observar o outro, já é positivo".

E Igo procura brincar com a identidade do repórter, lançar um olhar diferente sobre aquela pessoa. Uma repórter vista sob um olhar mais terno, o fotógrafo tenta revelar uma face sensual. Um repórter mais sisudo tem revelado seu sorriso. O jogo desperta a curiosidade entre os colegas de redação, que inevitavelmente se tornam mais conhecedores do fotografado.
Beatriz Braga, do Caderno C
Para Bione é um momento em que todos estão no mesmo patamar. "Estagiário, fotógrafo, repórter, editor ou motorista, alí [diante da lente] são todos iguais". É um momento - em meio à rotina diária, entre uma pauta e outra - em que as pessoas se despem dos cargos e das responsabilidades cotidianas. E dentro do ambiente de trabalho.

"É algo sem uma superprodução. Desmistifica o estúdio", afirma, lembrando do tradicional Estúdio Foto Beleza (existente desde 1931), onde as pessoas pagavam caro para serem fotografadas. "Tinha gente que mal nascia e era levado para o Foto Beleza. Então até hoje as pessoas veem essas fotos como algo glamuroso ou caro", recorda, avaliando que faz bem para a auto-estima do fotografado.

Ele passa menos de 10 minutos no estúdio com cada repórter escolhido. As mulheres no máximo passam um corretivo no rosto ou um batom. Os homens só tiram a camisa. "É a rapidez e a versatilidade do fotojornalismo levado para o estúdio", diz. Para conseguir o melhor lado, a expressão procurada, Igo Bione escolhe seus modelos após bom período observando-as no dia a dia.

A ideia surgiu após fazer a foto de uma colega. "Eu vi aquela foto e pensei 'isso pode dar algo interessante'", lembra. Na mesma semana, ao ver uma colega de redação com corte de cabelo novo, chamou-a para uma foto. Fez no mesmo formato. E gostou. Lançou ambas no Facebook e teve o sucesso mensurado pelas curtidas e comentários.

Desde então foram 25 fotos publicadas. Tem sido positivo para o ambiente de trabalho e também para Igo, que estava buscando algo em que pudesse se soltar mais, fugir um pouco do fotojornalismo. A ideia é focar o trabalho na redação do Jornal do Commercio.

Igo Bione é formado em Relações Públicas, mas começou a estudar fotografia ainda na faculdade. Com um curso básico, começou a fazer trabalhos free-lancer e foi chamado para o seu primeiro veículo de comunicação em 2009. "Sempre gostei de fotografar gente", garante. Chegou a dar aulas de luz e flash - algo que ele pretende retomar. Bione destaca os trabalhos especiais Tramas da Renda, de Novembro de 2012; e Ternura e Delito, publicado no Jornal do Commercio deste domingo.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Morre, aos 83 anos, fotojornalista que revelou as primeiras imagens da revolução cubana



No último domingo (6/1), morreu o fotojornalista espanhol Enrique Meneses Miniaty, que revelou as primeiras imagens da revolução cubana, informou o portal Jornal de Notícias. Nascido em Madrid, ele estava com 83 anos.

O fotojornalista viveu no exílio em França entre 1936 e 1944, onde sofreu a ocupação alemã e regressou a Espanha, em 1945, após um ano em Portugal. Em Salamanca e em Madrid estudou Direito e, em 1952, graduou-se na Escola Oficial de Jornalismo.

Miniaty colaborou com diversos veículos de imprensa de diversos países, como o Paris Match. Nessa condição ele se infiltrou na guerrilha cubana, tendo sido o primeiro fotógrafo estrangeiro no grupo liderado por Fidel Castro, com o qual conviveu quatro meses.

Ele passou os negativos das fotos conseguidas para o exterior de Cuba cosidos na roupa de uma jovem cubana. Porém, a publicação custou-lhe a expulsão da ilha.

Autor de diversos livros, Miniaty foi também repórter de guerra. Ele passou pelos conflitos da Rodésia, Angola, Bangladesh e de Sarajevo, em 1993. Esse ultimo deu origem à sua última reportagem antes de problemas de saúde o impedirem de trabalhar.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Após agredirem fotógrafo, dois policiais são suspensos na Colômbia

Durante a cobertura de uma briga, um fotógrafo do El Universal levou um golpe de um policial e teve sua câmera tomada, informou o portal colombiano, nesta segunda-feira (12/11). Os responsáveis pela agressão foram suspensos.

A câmera de Nayib Gaviria só foi devolvida depois de o fotógrafo prestar queixa. Os oficiais envolvidos alegavam que se sentiram intimidados com a presença do profissional registrando a ação.

A tenente responsável pela patrulha se desculpou pelo ocorrido e o comandante da Polícia Metropolitana de Cartagena, general Carlos Rodriguez, anunciou a suspensão temporária de dois policiais envolvidos.

“É lamentável e, pessoalmente, não quero que o agente perca o emprego, mas isso deve servir como uma mensagem para as autoridades, para reagir melhor a situações de pressão", disse Santiago Preciado, repórter que acompanhava o fotógrafo.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Fotojornalista troca câmera por iPhone 4S para registrar Olimpíadas

Fazer a cobertura de uma edição de Jogos Olímpicos pode ser a realização de um sonho para boa parte dos jornalistas. E, normalmente, é preciso usar o seu melhor equipamento para fazer bonito nas Olimpíadas – especialmente se você for um fotógrafo. No entanto, Dan Chung está provando que nem sempre há a necessidade de câmeras enormes e lentes pesadas para clicar momentos marcantes de uma competição esportiva: ele está fotografando os Jogos deste ano, em Londres, com um iPhone 4S.
Chung está fazendo sucesso com seu iPhone(Foto:Tom Jenkins/The Guardian)


 Funcionário do jornal inglês The Guardian, ele está utilizando o acessório Schneider Lens, que permite a inclusão de lentes no smartphone e também binóculos da Canon para auxiliar na hora de fotografar eventos que estão muito distantes de suas lentes. Há também, como todo bom fotógrafo, um programa de edição de imagens por trás do processo, o já conhecido Snapseed, bastante famoso e elogiado na App Store.

Os resultados são impressionantes. O “photoblog” olímpico de Chung é um dos grandes sucessos da cobertura olímpica do diário, com mais de duas mil curtidas no Facebook. Ele já registrou diversos esportes, como natação, ciclismo, ginástica, vôlei, a cerimônia de abertura… E até mesmo o dia a dia de Londres durante a competição, com imagens do público no metrô e do lado de fora das instalações esportivas.
Foto de Natação foi feita com um iPhone(Foto:Dan Chung/The Guardian)

Usain Bolt celebra vitória(Foto:Dan Chung/The Guardian)

Gabrielle Douglas compete na ginástica artística(Foto:Dan Chung)


segunda-feira, 25 de junho de 2012

Fotojornalista norte-americano está desaparecido no México há um mês


O fotojornalista indenpendente Zane Plemmons, natural do Texas, EUA, está desaparecido há um mês, desde que viajou para a fronteira com o México, informou o canal Fox 29 de San Antonio, na última quinta-feira (21/6). Plemmons tem dupla nacionalidade e já colaborou com o jornal El Debate.
O fotógrafo estava hospedado em um hotel na cidade fronteiriça de Nuevo Laredo e saiu para fazer fotos de um tiroteio, mas não voltou. Plemmons também planejava visitar familiares no México.
Como não apareceu, os parentes ligaram para o hotel. O recepcionista disse a eles que homens com os rostos cobertos e armados pediram as chaves do quarto do profissional, roubaram os pertences dele e foram embora.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Como foi o acompanhamento do dia de trabalho de um fotojornalista


Foto:Leandro Cunha

Em um trabalho de campo realizado na disciplina de Fotojornalismo da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), nós alunos fomos incumbidos de escolher um período de um dia na semana para realizar uma vistita a um dos jornais da cidade do Natal com o subsequente acompanhamento de um Repórter Fotográfico em sua rotina de trabalho. 

Acompanhei o Repórter Fotográfico do O Jornal de Hoje, Wellington Rocha, que trabalha com o equipamento Nikon D90, de objetiva 18-105 mm, esta que já vem na máquina. O fotojornalista usa somente a objetiva em questão. Segundo ele, o instrumento de trabalho não é fornecido, portanto, é pessoal, e o jornal não paga o aluguel por isso.

Fomos para duas pautas, ambas com a mesma repórter de texto da editoria de Cidades do jornal, Fernanda Souza, na segunda-feira pela manhã, dia 7 de maio de 2012. A primeira foi sobre o caos da saúde pública no estado do Rio Grande do Norte, mais precisamente no hospital regional Deoclécio Marques de Lucena, no município de Parnamirim. Dando prosseguimento a temática de greves no estado, depois fomos para a segunda pauta, no Campus Central da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte (UERN), localizado na Avenida Ayrton Senna, em Natal, sem aulas na ocasião.

Primeira Pauta

Chegando ao hospital, Wellington Rocha foi logo entrando nas dependências do mesmo sem fazer muito alarde. Enquanto a repórter conversava com uma fonte, o fotógrafo começou a buscar personagens para compor as imagens. Encontrou uma senhora com uma criança, ambas sentadas numa cadeira, ele se abaixou e fez a foto delas numa posição em que elas estavam de costas.

Indagando sobre a falta de uso do flash num ambiente não tão claro, perguntei o porque daquilo ao fotógrafo. Ele respondeu justificando com o resultado do processo de feitura da primeira fotografia. “Não uso flash para não despertar as pessoas. Se eu tivesse usado a mulher ia perceber”, disse. 

Na fachada do hospital, Wellington Rocha teve a paciência de esperar o momento certo da passagem de um paciente na entrada para compor a foto juntamente com o faixa “Estamos em Greve”. 

Foto:Leandro Cunha

Indo até a parte de pediatria, o fotógrafo evitava o tempo inteiro os rostos das crianças, apesar de não deixar de fazer as imagens. Pegou muitas vezes o corpo de algumas delas tomando soro e complementava a foto com o corpo de algum responsável que estava respondendo pela situação do hospital. Em momentos em que adultos apareciam no local da especialidade para serem medicados, o fotógrafo também evitava os rostos deles. Numa ocasião em que um paciente estava olhando para a lente do fotógrafo, este pediu àquele virar o rosto para o outro lado.

Wellington Rocha aparentava ser bastante íntimo de algumas pessoas de dentro do hospital, pois ficou conversando várias vezes com algumas delas. Falou de futebol e de que havia trazido uma pessoa na semana anterior para tomar soro, mas que o líquido transparente estava faltando. Isso fez com que muitas vezes a dispersão o fizesse se perder da repórter, ao não saber onde ela estava em vários momentos.

Porém, a amizade do fotógrafo com algumas pessoas rendeu frutos para o incremento de imagens em locais que a administração dizia não poder entrar. Valendo-se da máxima jornalística de que “em lugar que não pode ser mostrado, há coisas erradas”, Wellington Rocha teve a curiosidade de ir atrás. Uma das enfermeiras disse que o levaria ao local, o que rendeu fotografias de pessoas jogadas nos corredores do hospital.

Ao final da primeira pauta, Wellington Rocha revelou que não gosta de fazer muitas fotos de uma situação e explicou porque disso ao sair para rua. “Nosso trabalho não é valorizado, já que uma ou no máximo duas fotos é que vão para o jornal”. Então ele diz fazer apenas o suficiente. O fotógrafo disse ainda, sem citar nomes, que uma vez suas fotos foram para votação para saber qual ia para o jornal, passou por todo mundo que faz a redação, incluindo pessoas que não são envolvidas diretamente com o jornalismo e até foi votada por um menino que cuidava de carros no estacionamento. 

Sem a presença do editor de fotografia no jornal, Wellington Rocha não faz cerimônia para dizer quem escolhe a foto que vai estampada no jornal: “É o diagramador!”, falou em voz alta.
Foto:Leandro Cunha


No final da primeira pauta, ainda fez fotos da diretora do hospital. Para isso se aproximou ao máximo dela para fazer o boneco. 
Foto:Leandro Cunha


É bom lembrar que Wellington Rocha ainda perguntou o tempo todo o nome dos entrevistados à repórter para fazer as anotações. Apesar de não escolher as fotos que vão para o jornal, é ele que as legenda.

Segunda Pauta

A ida à UERN foi mais tranquila. Como a universidade estava em greve, o lugar estava bem vazio com poucos alunos, que estavam fazendo monografia e artigos científicos, e apenas alguns seguranças, além de outras pessoas da secretaria.

Assim sendo, Wellington Rocha fez apenas fotos da fachada da universidade, a entrada vazia e os bonecos de alunos bolsistas em pesquisa de iniciação científica e de um responsável que estava respondendo sobre a situação no local.

Indagado pela repórter sobre sugestões para lugares a serem feitas as fotografias, Wellington Rocha adotou o seguinte posicionamento: “Eu não gosto que repórter nenhum se meta no meu trabalho, que está fazendo a fotografia sou eu”. A distância entre os dois profissionais fica esclarecida ao saber que o repórter fotográfico não recebe a pauta.

Durante a execução do ato fotográfico, Wellington Rocha tem uma mania. Ele usa boné, e toda vez que vai fotografar vira-o para trás, colocando de volta a maneira usual após o clique. 

Antes de irmos embora, Wellington Rocha se mostrou ativo na questão de resolver o problema do transporte que havia designado para a nossas pautas e a de um outro repórter que estava em outro lugar. O fotógrafo pareceu bastante irritado com o fato de apenas um carro ter que fazer tudo isso e telefonou para a redação dizendo que tinha terminado o serviço e que estávamos em determinado local esperando. Além disso, ao telefone, o fotógrafo relatou ao editor que o motorista estava de mau-humor por ter que ir, deixar o outro repórter e depois ter que ir nos buscar.

Durante a espera, um momento para conversar sobre sua trajetória na profissão. Wellington Rocha falou de seus trabalhos anteriores, mercado local (para ele, quem paga melhor também explora mais trabalhando em datas comemorativas), desvalorização do profissional e até de sua vida pessoal.

Por fim, voltamos à redação, Wellington Rocha baixou as fotos no computador pelo cartão de memória e sem o tratamento do Photoshop recebeu a voz da diagramadora comprovando o que havia dito. “Deixa eu ver as fotos para ver o que cabe sem atrapalhar o anúncio”.

Resultado do trabalho

As matérias foram publicadas em dias diferentes e também em meios diferentes.


Valendo-se da máxima “Notícias que outros publicarão amanhã”, o O Jornal de Hoje colocou a matéria da saúde no mesmo dia em que foi feita, tanto no jornal impresso que vai para as bancas a partir das 16h, quanto no recém-inaugurado portal o mesmo texto. A matéria impressa que não veio assinada ganhou a metade da parte de baixo da página 6 da editoria de Cidades e foram colocadas 2 fotos em preto e branco creditadas. Na matéria online não foi colocada foto alguma e também não foi assinada.


O slogan que o jornal sustenta foi quebrado com a matéria da UERN. O referido trabalho foi para o jornal impresso no dia seguinte a feitura, mais precisamente na página 19 da editoria de Cidades em duas colunas no canto superior direito da página. A matéria foi para o portal também no dia seguinte com o mesmo texto. As matérias iguais colocadas nos diferentes meios estavam sem fotografia alguma e também não estavam assinadas.

Conclusão

De valiosa contribuição para o aprendizado sobre o estudo de como funciona o trabalho de um Repórter Fotográfico em um determinado jornal na prática, a avaliação proposta pela disciplina de Fotojornalismo serviu para pensar sobre o envolvimento do fotojornalista com a pauta, as iniciativas do mesmo perante as temáticas, o posicionamento diante de uma fonte, o uso da técnica com o equipamento servindo de auxílio e o mercado local.

Com a ida ao O Jornal de Hoje e ter acompanhado o Repórter Fotográfico Wellington Rocha, conclui-se que:

- É sempre bom o fotojornalista ter contato com a pauta para planejar a imagem que pode ser feita e evitar a fuga do direcionamento da mesma, evidenciado com o distanciamento que teve da repórter.
- O envolvimento com o tema pode fazer com que o fotojornalista tome iniciativas que revelem o diferente ou evidencie ainda mais uma denúncia. Uma prova disso foi a entrada em setores do hospital antes não permitido.
- O posicionamento diante de uma fonte varia de cada fotojornalista. No caso de Wellington Rocha, ele evitou o rosto de crianças e até de adultos em estado ruim de saúde para preservar a identidade dos mesmos. Evitou também as exposições de cenas grotescas de pessoas doentes, apesar de estar em um hospital público na ocasião.
- O mercado local é complicado para o Repórter Fotográfico de Redação. Exige muito e não recompensa em reconhecimento do trabalho do fotojornalista. A desvalorização fica evidente no estudo de caso na escolha da foto que vai para o jornal ser definida pelo diagramador.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

“Fazer jornalismo sério custa dinheiro, trabalho e tempo”, afirma fotojornalista

Foto:Dario Lopez  Mills

Jornalista de formação, Adriana Zehbrauskas pode ser considerada uma profissional do mundo. Logo depois de se formar, mudou-se para Paris, onde cursou linguística pela Universidade de Paris, em Sorbonne. Foi na capital mais romântica do mundo que Adriana se apaixonou pela fotografia, influenciada por grandes nomes como Cartier-Bresson, Brassai e Sebastiao Salgado. 

Residiu em Nova York e viajou o Brasil e o mundo como fotógrafa da Folha de S.Paulo, onde ficou até 2003. Em 2004, mudou-se para o México, lugar de onde faz seus cliques até hoje. Vencedora pela primeira vez do "Troféu Mulher IMPRENSA" na categoria repórter fotográfica de jornal ou revista, Adriana comprova que seu trabalho realmente ultrapassa fronteiras. "Fico muito feliz por esse reconhecimento no meu país, principalmente depois de estar fora há tantos anos"

IMPRENSA - Como você analisa o mercado do jornalismo e do fotojornalismo?

ADRIANA ZEHBRAUSKAS - O jornalismo, e aqui incluo o fotojornalismo obviamente, está passando por um momento muito crítico globalmente. A tecnologia, que por um lado nos ajuda, por outro prejudica os jornalistas profissionais em última instância. A própria sociedade se alimenta de conteúdo gerado muitas vezes por pessoas inexperientes, despreparadas e inconscientes das consequências, muitas vezes desastrosas, que uma matéria ou uma fotografia podem gerar.

IMPRENSA - Mas, a falta de um profissional capacitado é sentida?

Se o "citizen journalism" (termo para “jornalismo participativo”) é uma necessária faceta desse mercado, ele jamais poderá tomar o lugar do jornalismo sério e respeitoso, feito por pessoas comprometidas moral e eticamente com seu trabalho, suas fontes de informação e o público em geral.  Fazer jornalismo sério custa dinheiro, trabalho e tempo. E hoje mais do nunca, as empresas de comunicaçao devem continuar a mandar jornalistas a cobrir histórias e notícias, mesmo pesando o grande custo financeiro e, muitas vezes, emocional. É nossa missao expor o que nossos governos e exércitos fazem em nosso nome e um direito da populaçao saber.

IMPRENSA: Se tivesse que destacar prós e contras da profissão, quais seriam?

Os prós seriam ver a história acontecer com seus próprios olhos, conhecer todos os tipos de lugares e pessoas, a possibilidade de poder trabalhar em qualquer lugar do mundo. Os contras são nao ter hora ou dia para nada, carregar muito peso, alta competitividade e salários baixos.

IMPRENSA - Tem algum trabalho de grande projeção que você destacaria?

Fiz muitas matérias interessantes e que me deram certa projeçao, mas acredito que o que realmente me deu maior destaque foram meus projetos pessoais, ensaios desenvolvidos a partir da curiosidade pessoal em relaçao a alguns temas, como por exemplo, projeto sobre a fé no México e no Brasil (aprovado pelo Ministério da Cultura e atualmente e fase de captaçao de recursos para ser publicado pela Bei Editora em Sao Paulo) e “Tepito, Barrio Bravo”, que conta a história de um bairro central da Cidade do México e foi selecionando para o Transamérica PHotoEspaña  2012.

IMPRENSA - Você está participando de um filme. Como surgiu essa ideia e como você foi convidada?
O filme já está pronto e chama-se “Beyond Assignment”. Foi produzido pelo Knight Center for International Media e a Universidade de Miami. Conta a trajetória de três mulheres fotojornalistas que trabalham em projetos pessoais: eu no México, Mariella Furrer na África do Sul, e Gali Tibbon em Israel. O diretor estava buscando alguém da América Latina e chegou a mim através de recomendações. Naquele momento eu estava começando o projeto em Tepito e depois de conhecer o trabalho e de muitas conversas, ficou decidido que eu faria parte do documentário. A equipe entao veio para o México e me acompanhou durante uma semana.A estreia será em 10 de março no Festival de Cinema Internacional de Miami.

IMPRENSA - Quais os conselhos que você daria aos iniciantes na área?

Primeiro é preciso estar consciente de que a moeda do fotojornalismo é a credibilidade. Fotografe o que você vê e apresente o que você viu.  A manipulaçao de imagens, seja na forma (digital)  ou no conteúdo  (inventar situações, colocar coisas na cena que nao estavam lá etc.) é absolutamente proibido, pode custar a sua carreira, por em risco a credibilidade do meio de comunicao e da categoria como um todo. A diferença do fotojornalismo e da fotografia fine art (belas artes) é que, no segundo caso, o fotógrafo conta a sua própria história ao mundo, e no primeiro, o fotógrafo conta a história dos outros. Respeito e ética sao valores fundamentais para poder desenvolver o trabalho. Encontrar sua própria voz, ter muita curiosidade, paciência, perseverança e usar sapatos cômodos!