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terça-feira, 7 de novembro de 2017

Reuters lança projeto para ajudar a formar novos fotojornalistas

A Reuters quer desenvolver a próxima geração de fotojornalistas. Assim, a agência britânica de notícias lança seu programa com foco em pessoas que querem contar histórias humanas originais de seus locais e comunidades. As inscrições ficam abertas até 10 de novembro, sendo que o projeto será realizado em 2018.

De acordo com a divulgação, qualquer fotojornalista apaixonado pela profissão pode se candidatar, inclusive estudantes da área. Para participar da seleção, é preciso encaminhar currículo, portfólio e ideia de projeto por meio deste link. O programa vai oferecer até US$ 5.000 aos aprovados na seleção, sendo que as fotos tiradas ao longo do projeto serão distribuídas globalmente nas plataformas de mídia da Reuters.

“Estamos entusiasmados em trabalhar com talentos emergentes que podem contar histórias a partir de novas perspectivas e, com um negócio global, confiamos na diversidade de cultura e pensamento para chegarmos aos nossos objetivos”, diz o texto de divulgação. O programa de concessão, como explica a Reuters, vai usar os projetos para alavancar as habilidades de narrativa visual de cada candidato com assistência, dicas e planejamento. Veja neste link a divulgação feita pela agência.



Fonte: Portal Comunique-se

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Primeira fotojornalista a cobrir a Faixa de Gaza relata os desafios da profissão

Por Portal Imprensa

Foto: Dennis Rivera


Contar em detalhes uma história escondida. Foi esse desejo que levou Eman Mohammed, 27, a começar sua carreira como fotojornalista, aos 19 anos. Ela é a primeira mulher a cobrir a guerra na Faixa de Gaza.

Refugiada Palestina, Eman nasceu na Arábia Saudita e cresceu em Gaza, onde iniciou seu contato com a fotografia. Com trabalhos publicados no Guardian, Le Monde, Washington Post, Haartez, e outros veículos internacionais, ela se dedica a documentar de perto o conflito Israel/Palestina.

À IMPRENSA, a fotojornalista falou sobre os desafios que as mulheres enfrentam no Oriente Médio, as dificuldades em cobrir zonas de conflito e como avalia a cobertura da mídia internacional na região.

IMPRENSA: Quando você decidiu se dedicar ao fotojornalismo?
Eman Mohammed: Eu comecei a me interessar pela carreira de fotojornalista aos 19, durante meu segundo ano na universidade, quando passei a trabalhar para agências de notícias locais e explorar os campos de mídia.

Como é ser a primeira mulher fotojornalista a cobrir a Faixa de Gaza?
O sentimento é amargo e doce ao mesmo tempo. Num primeiro momento não fazia qualquer sentido o porquê eu tinha de ser a primeira. E não ver fotojornalistas profissionais do sexo feminino em Gaza, diz muito sobre esta questão.

Foi um percurso muito instável, cheio de obstáculos e desafios pela predominância masculina no campo do fotojornalismo. Mas a aceitação e apoio de moradores me fizeram sentir muito melhor e mais confortável. Equilibrar-se em uma comunidade fechada e conservadora seguindo numa carreira controversa às tradições foi e ainda é muito complicado.

Seu trabalho como fotógrafa era considerado um insulto às tradições locais. Como lidou com o preconceito e o que significa para você passar por isso?
As pessoas normalmente temem o que elas não conhecem e, como uma reação muito esperada, a comunidade não foi apresentada a uma fotojornalista mulher até então. Uma vez que foi explicado e mostrei o meu modo de trabalho, sem ter violado nenhum valor cultural, tornou-se mais aceitável para as pessoas comuns. Eu lutava mais com os meus colegas do sexo masculino, que recusavam o fato de ter uma fotojornalista entre eles e ainda o fazem, de maneira mais sutil do que quando comecei a minha carreira. Ao longo do tempo, esse desafio aquece o meu coração e me mantém alerta no mesmo tempo.

Qual é o espaço para as mulheres cobrirem zonas de conflito atualmente?
Eu acho que o número de fotojornalistas no mundo aumentou rapidamente e isso é um grande começo para uma maior igualdade, especificamente nas áreas de conflito, onde as mulheres provaram que elas são capazes de fazer um trabalho realmente impressionante por conta própria. Os limites não são um problema como antes. Ainda temos um longo caminho pela frente para chegar ao ponto de não precisar "provar" que as mulheres são qualificadas nessas zonas tanto quanto os homens.

Quais são os maiores desafios de ser fotojornalista na Faixa de Gaza?
Cobrir notícias de natureza violenta, e estar ao mesmo tempo em uma situação para quebrar tabus. É como uma guerra fora e dentro da minha casa, a pressão dobra e torna-se uma missão impossível, às vezes.

Como você avalia a cobertura da imprensa internacional sobre a guerra em Gaza?
Mudou dramaticamente desde a primeira guerra em Gaza, o que com certeza ajudou o mundo a ter mais conhecimento sobre o que está acontecendo na Palestina com as suas próprias fontes. O que é mais assustador é que não teve um grande impacto sobre a ação do mundo. Agora a mídia está mais carregada com todo o tipo de fotografias e vídeos que saem de Gaza e, assim como na Síria, o mundo está perto e apenas assiste.

Há alguma história que te surpreendeu ao longo da sua carreira?
Eu diria que a primeira guerra sempre ficará na memória, marcada no meu coração. O dia em que tudo começou e eu testemunhei o meu mundo inteiro em colapso, o que se seguiu ajudou a moldar a minha carreira e personalidade ao mesmo tempo.

Raio-X do conflito  

Localizada na Palestina, entre Israel e o Egito, a Faixa de Gaza era o ponto de passagem para antigas civilizações e um entreposto estratégico no Mediterrâneo. Foi dominada pelo Império Otomano até a Primeira Guerra Mundial. Tanto os israelenses quanto os palestinos acreditam que Gaza pertence a eles, o que faz com que os conflitos nunca cessem.

Os israelenses acreditam que a região é dominada por invasores que fugiram de outras terras. Por sua vez, os palestinos nunca tiveram, de fato, um território. Por se concentrarem em Gaza quando eram refugiados, eles acreditam que a região já os pertence.
O confronto religioso é outro aliado. A Faixa de Gaza integra o território conhecido como Terra Prometida. Ambos os povos acreditam que o local é sagrado e não deve ser habitado por pessoas que não possuem a mesma crença.

Em julho de 2014, Israel lançou uma grande operação militar na Faixa de Gaza chamada "Borda de Proteção", com o objetivo de interromper o lançamento de foguetes palestinos contra Israel e de destruir a infraestrutura militar do Hamas e de outros grupos armados.

A ação marcou o fim do cessar-fogo que estava em vigor desde novembro de 2012, mas que era desobedecido desde dezembro do ano passado. O novo conflito deixou quase 2.200 palestinos mortos, em sua maioria civis.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Fotojornalismo, a ética e a caça

Por TV Brasil

No terceiro episódio do Caçadores da Alma, o diretor Silvio Tendler mira sua lente para o fotojornalismo, modalidade na qual uma legião de fotógrafos se notabilizou pela cobertura da informação para veículos de comunicação nacional e estrangeira.

“Esse pecado original da fotografia está relacionado com o fato de ela ter nascido para o registro do real. Só que o homem realiza nesse sentido, mas também de uma forma transformadora, porque a fotografia é um fragmento a partir de sua escolha. E esta escolha é precedida pelo seu universo, cheio de preocupações, sensibilidades, vivências, referências e influências”, afirma o mestre Luis Humberto, primeiro professor titular de fotografia numa universidade brasileira, com passagem pelas revistas Veja, Isto É, Jornal do Brasil e diversas publicações da Editora Abril, entre outros veículos.

Presente desde os primórdios da história da fotografia, o fotojornalismo é retratado, neste episódio, a partir da depoimentos que dão conta da sua importância, da função do repórter fotográfico, da possibilidade de interferência numa cena antes dela ser clicada e dos limites éticos no registro de imagens de violência e dos famosos paparazzi.

Estão neste episódio os seguintes fotógrafos: Daniel Kfouri, Luis Humberto, Alberto Jacob, Custódio Coimbra, Iatâ Cannabrava, Wilson Pedrosa, Marcio RM, Antônio Scorza, Januário Garcia, Orlando Brito, André Dusek, Walter Firmo, Alcy Cavalcanti e Bob Wolfenson.

Assista


quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

"Foi difícil vencer o ambiente masculinizado da fotografia de jornal", diz Márcia Foletto

Márcia Foletto, repórter fotográfica de O Globo (Foto: Autor não informado pela reportagem/Todos os Direitos Reservados)

Portal Imprensa

O potencial transformador da imagem e da palavra foram os combustíveis que levaram Márcia Foletto a trabalhar com as duas ferramentas. Jornalista e fotógrafa, iniciou a carreira no diário A Razão. Passou por dois veículos do Grupo RBS, Pioneiro e Diário Catarinense, e desde 1991 integra a equipe de O Globo (RJ), passando primeiramente pela editoria dos "Jornais de Bairro", depois pela "Rio", onde cobre assuntos de cidade, polícia, meio-ambiente e política.

Márcia participou de diversas coberturas importantes, como a Rio-92, a chacina da Candelária em 1993 e as eleições presidenciais de 1994, 1998, 2002, 2006 e 2010. Em um período mais recente, se especializou na cobertura de "Cidade" e "Polícia", registrando também o dia a dia da guerra urbana.

Finalista da 10ª edição do "Troféu Mulher IMPRENSA" na categoria "Repórter Fotográfica", ela concorre ao lado Ana Carolina Fernandes (Reuters / fotógrafa freelancer), Annaclarice Almeida (Diário de Pernambuco – PE), Marlene Bergamo (Folha de S.Paulo) e Monique Renne (Correio Braziliense). Em entrevista à IMPRENSA, a jornalista falou sobre momentos importantes de sua carreira e os desafios da profissão.

Quais são as dificuldades de exercer o fotojornalismo? 
As dificuldades vão mudando ao longo das décadas. Já foi difícil vencer o ambiente masculinizado da fotografia de jornal onde para as mulheres era reservado apenas matérias leves e retratos. Também foi difícil aprender a trabalhar com um equipamento cada vez mais pesado e manter a força física para realizar os trabalhos. Mas, hoje, o grande desafio para nós fotojornalistas é trabalhar com a velocidade da informação, onde a foto precisa estar no ar imediatamente. Buscar uma imagem significativa e diferente com a urgência da internet é a maior dificuldade.

O que você mais admira na profissão?
O que me levou a fazer jornalismo, ainda na adolescência: a capacidade de transformação e de fazer sentir provocados por uma bela imagem ou uma boa reportagem.

Você ganhou um prêmio por uma foto de crianças sendo revistadas por soldados do Exército em uma favela do Rio de Janeiro (RJ). Como foi fazer essa imagem?
Em 1994, fiz uma foto de crianças que voltavam da escola no Morro Dona Marta, em Botafogo. A favela estava ocupada pelo Exército, durante a Operação Rio II e eles estavam revistando todos, inclusive as crianças. A foto mostrou vários dos estudantes, com idade entre 8 e 12 anos, com as mãos encostadas na parede, sendo revistadas por soldados armados. A foto foi publicada no capa d'O Globo no dia seguinte e chocou o país. Imediatamente, o Exército suspendeu a revista em crianças. Um exemplo de uma fotografia que transforma.  Esta imagem foi premiada com o Prêmio Finep de Fotojornalismo em 1995.

Qual foi o trabalho que mais marcou para você em 2013? 
Em 2013, eu fiquei metade do ano sem fotografar por problemas de saúde, mas fiz uma imagem, em setembro que foi marcante para mim. Uma cena surreal na Central do Brasil. Enquanto homem acusado de roubo é revistado pelo policial militar, adolescente tentar furtar sua carteira. O mais incrível da cena é que o menor não se sente intimidado pelo policial e muito menos pela câmera, que estava a poucos metros. Esta imagem faz parte de uma sequência de fotos, onde o menino tenta por três vezes pegar a carteira do homem, até todos serem liberados pela polícia.

Como foi saber da indicação ao prêmio? 
Para mim, o grande prêmio é ser lembrada e indicada todos os anos por colegas jornalistas. Isso é que me enche de orgulho.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Agências oferecem curso Vivência em Fotografia no Recife



Se você tem dúvidas sobre sua vocação para fotografia ou deseja se profissionalizar, não perca tempo aprendendo mais do mesmo. A Agência JCMazella e a Paradox Zero oferecem, pela primeira vez na Região Norte/Nordeste, uma solução para integrar o aprendizado ao cotidiano de uma agência de notícias, o chamado Vivência em Fotografia.

As aulas ocorrem no Recife e formam uma experiência única para viver o fotojornalismo. Com sessões alternadas entre noções teóricas, revisões e dicas de como melhor usar a câmera e os acessórios, cada aluno irá se integrar às duas agências durante 45 dias, acompanhando o ritmo frenético das ruas e aprendendo a dominar a técnica e o olhar fotográfico enquanto vive a realidade do mercado.

Somente três alunos são aceitos por turma, o que permite adaptar o horário entre os períodos da manhã e da tarde, além de revisões e pautas também durante a noite. O curso é oferecido com a infraestrutura das duas agências, com atendimento completo. No decorrer do aprendizado, as melhores fotos podem ser publicadas em veículos de comunicação, banco de imagens, notícias das agências e exposições.

Valores:
Com equipamento próprio – R$ 1.200,00 à vista ou 2x de R$ 750,00
Sem equipamento próprio – R$ 1.600,00 à vista ou 2x de R$ 900,00*
* o aluno irá usar equipamento profissional da agência

Dúvidas sobre seu equipamento ou inscrições?
Entre em contato http://www.paradoxzero.com/cursos/participar-vivencia-fotografia/ ou ligue (81) 3019-3811 / 8926-3443 / 9363-9779.

ou pague agora com cartão de crédito e/ou Paypal

AVISO:
A vivência em fotografia não é um curso básico para iniciantes.
Se você está interessado em curso para iniciantes, mande um e-mail para nossa lista de espera.

PROGRAMAÇÃO:

Quarta-feira, dia 12 de fevereiro
Horário: 19h no Bairro do Recife
Aulão inicial e revisão técnica sobre enquadramento, câmera e funções

Quinta-feira, dia 13 de fevereiro
Horário: período da manhã ou tarde (variável por aluno)
Início das primeiras atividades na Agência JCMazella

Sexta-feira, dia 14 de fevereiro
Horário: variável por aluno
Revisão técnica

Semana entre 17 e 21 de fevereiro
Horário: manhã e/ou tarde
Coberturas, pautas, edição
2 ou 3 vezes por semana (variável por aluno e experiência)

Semana entre 24 e 28 de fevereiro
Revisões técnicas e pautas
2 ou 3 vezes por semana (variável por aluno e experiência)

INTERVALO CARNAVAL
(pautas podem ser agendadas)

Semana entre 10 e 14 de março
Revisões técnicas e pautas
2 ou 3 vezes por semana (variável por aluno e experiência)

Semana entre 17 e 21 de março
Fechamento, edição, exposição e encaminhamentos

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Urgência e clareza

Por Alberto Dines em 31/12/2013 na edição 779 do OI - Do besteirol dos feriados às suspeições sobre o UFC

Chama a atenção do observador minimamente atento que as fotos publicadas na segunda-feira (30/12) nas primeiras páginas dos jornalões brasileiros, mostrando o suposto momento em que o pugilista brasileiro Anderson Silva teria partido a tíbia e a fíbula, sejam TODAS assinadas por Janie Kamin-Oncea, do USA Today, jornal americano de quinta categoria sem a menor credibilidade.

Aquele foi mesmo o momento da fratura? Não houve colaboração do mágico Photoshop? E por que Anderson não está urrando de dor se o seu pé já está aparentemente partido? A dor só veio depois?

Por que esconderam na página interna a foto – mais dramática e mais veraz – de David Becker, da Associated Press, secular e respeitável agência de notícias internacional? A AP estava ali apenas para salvar as aparências e por isso não pode aparecer nas primeiras páginas?

A cobertura em pool não lança suspeições por todo lado? E se a suspeição envolve as principais empresas jornalísticas do país pode-se confiar no senso de responsabilidade da nossa imprensa?

Alguém precisa desfazer essas dúvidas. Com urgência e muita clareza. Em bom português ou em inglês. Em Las Vegas, Miami ou São Paulo. Caso contrário o negócio do UFC desaba e com ele uma das mais importantes instituições republicanas.

domingo, 29 de dezembro de 2013

Promessa de gente grande

Foto: Diego Nigro/Jornal do Commercio

Seção Ponto de Vista/Revista Imprensa. Ed.296

A pauta do dia era sobre carroceiros que usam tração animal no transporte e que em breve será proibida em Recife (PE). Já na comunidade do Arruda, uma das mais carentes da capital pernambucana, o fotógrafo e jornalista Diego Nigro, do Jornal do Commercio, acompanhou entrevistas da repórter até começar a produzir as fotos. "Eu estava tentando mostrar a precariedade deles. No desfoque, vi que o fundo estava se mexendo muito. Era um córrego cheio de lixo e vi uma criança nadando. A primeira impressão é que ele foi buscar uma bola, uma pipa. Deixei a repórter com o entrevistado e fui ver o que estava acontecendo", conta Nigro.

Já mais próximo à cena, o fotógrafo viu três meninos, o mais velho com 11 anos e o mais novo com 9. "Eles entravam no rio para recolher latinhas e ganhar R$ 2 por dia", diz. No mesmo dia, deu todo o dinheiro que tinha ao mais novo, Paulo, e fez uma proposta. "Promete não entrar mais [no córrego] que eu prometo te ajudar", revela. A foto foi divulgada na capa do Jornal do Commercio apenas dez dias depois. "A gente não queria dar apenas uma foto forte, mas também um texto bacana, uma matéria especial", conta o fotógrafo, que segue cumprindo a promessa que fez ao menino.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

O relato de um fotógrafo espancado por 13 policiais

Por Pragmatismo Político

Yan Boechat foi violentamente agredido. Fotógrafo, Jornalista experiente, colaborador de veículos como Valor, GQ e IstoÉ, ele fez um impressionante relato em sua página do Facebook

Foto: Gabriela Batista

Um aumento de 172% nos casos de agressões, censura judicial e até assassinatos contra jornalistas é o que acusa o relatório para a Liberdade de Imprensa 2012-2013 da Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão). O período mensurado vai de outubro de 2012 a setembro de 2013.

Evidentemente as manifestações têm muito a ver com isso e o despreparo da polícia está registrado em centenas de vídeos na internet, com seus abusos de autoridade quase sempre acompanhados de agressão física contra repórteres, fotógrafos e cinegrafistas. Já entramos portanto no próximo período e outubro dá mostras que o relatório 2013-2014 poderá não ser muito animador.

Yan Boechat é mais um que engordará a estatística ainda a ser retratada. Parceiro de rua desde junho, encontrei Boechat novamente nesta última terça-feira, durante a manifestação pela educação. O clima estava tenso desde a saída e ainda na avenida Rebouças. Boechat me disse: “A vibe está estranha hoje.”

Pouco tempo depois a batalha campal começou e não o encontrei mais, nem mesmo na apoteose (o que não é raro, a violência se espalha pelas ruas e muitas vezes termina-se com quilometros de distância, nem todos voltam). No dia seguinte soube que seu pressentimento havia se confirmado. Boechat foi violentamente agredido. Jornalista experiente, colaborador de veículos como Valor, GQ e IstoÉ, ele fez seu relato em sua página do Facebook:

“Neste ano estive em diversos confrontos entre a população civil e as forças de segurança, em diferentes países. As mais violentas que acompanhei, inclusive, não se deram no Brasil. Quando estive na Tunísia, em fevereiro, fazendo uma reportagem sobre os dois anos do início da Primavera Árabe, o líder da oposição local, Cokri Belaid, foi assassinado. Sua morte mergulhou o país em uma semana de protestos, os mais violentos desde a queda do ditador Ben Ali. Foram dias e dias de embates ferozes pelas ruas de Túnis. Lá, como aqui, fotografei todos os acontecimentos, de perto, e nenhum policial fez, sequer, menção de me agredir.

Poucas semanas depois, já no Egito, a absolvição de policiais, que mataram dezenas de manifestantes em Alexandria um ano antes, fez com que a população voltasse às ruas para protestar contra o presidente Mursi. Foram noites e noites de confrontos extremamente violentos entre centenas de jovens e as forças de segurança nas imediações da Praça Tahrir. Em Alexandria e em outras cidades, naquela semana, mais de uma dezena de manifestantes foram mortos. Novamente, nenhum policial me agrediu.

É óbvio ser incorreto afirmar que nesses dois países que mal conhecem a democracia e não compreendem a noção que temos do Estado de Direito, a polícia não seja violenta. Ela é, e muito. Mas foi aqui, no Brasil, no meu país, onde existem leis que me protegem, em que a minha profissão é defendida por quem está no poder, onde a imprensa, em menor ou maior grau, é, sim, livre, que fui agredido por tirar uma fotografia.

Ontem fui espancado por um grupo de 13 policiais. Me agrediram com chutes, socos e cassetetes porque fotografei-os batendo de forma covarde em um dos voluntários do GAPP (Grupo de Apoio aos Protestos Populares). Foi uma agressão gratuita, que tinha como único objetivo me intimidar e impedir que eu praticasse o saudável e fundamental ato de registrar as coisas que acontecem em uma manifestação pública. Sou jornalista com mais de 15 anos de carreira. Já atuei em alguns dos principais veículos de comunicação do país. Já estive a trabalho em países que não prezam exatamente pela liberdade de imprensa, como Irã, Afeganistão ou Angola. Já fui intimidado, mas nunca espancado por forças de segurança do Estado.

Sempre pautei meu trabalho pela seriedade e pela ética que rege minha profissão. Em todas as manifestações assumo única e exclusivamente o papel de observador, de repórter, mesmo, em algumas circunstâncias, tendo a certeza de que injustiças são praticadas diante de mim, seja pelo lado da polícia, seja pelo lado dos manifestantes que, como os policiais, muitas vezes também se excedem. Seja aqui, seja em qualquer lugar do mundo. E, sim, gosto de estar perto da ação, tenho prazer em assistir ao vivo, com meus olhos, o desenrolar da história. (…). Fui agredido pela única razão de estar com uma câmera na mão diante do abuso de poder de um representante das forças de segurança.

Minha carteira da Federação Nacional dos Jornalistas, que ampliei e colei em uma antiga credencial para expor ainda mais minha condição, não foi nenhum impedimento para que o soldado da Polícia Militar iniciasse a agressão. Foi tudo rápido. Ele bateu no rapaz, me viu fotografando e disse:
‘Não me fotografa, filho da puta’.


Tentei mostrar minha carteira da Fenaj e gritei:

‘Estou trabalhando’

Ele levantou o cassetete e, antes de me acertar pela primeira vez, disse:

‘Eu também’ ”

Sou dos poucos que ainda saem sem máscaras contra gás (o capacete já faz parte dos acessórios básicos) mas preciso repensar isso. O futuro não parece promissor, como disse Yan Boechat, “a vibe está estranha”. Imagina na Copa.

Mauro Donato, DCM

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Abraji repudia agressão contra repórter fotográfico no Rio de Janeiro

Foto: Alexandro Auler

Abraji

Pablo Jacob, repórter fotográfico do jornal carioca “O Globo”, foi agredido por policiais militares na noite de terça-feira (15.out.2013). Pablo era um dos profissionais de imprensa que acompanhava e cobria as manifestações que tomaram o centro do Rio de Janeiro naquela noite e que terminaram de forma violenta. Alexandro Auler também cobria os protestos como freelancer e flagrou o momento em que o colega, ostensivamente identificado como repórter, foi agredido por policiais.

A Abraji repudia este novo episódio de agressão, documentado em foto. Desde o começo dos protestos, em junho, houve pelo menos 85 casos de repórteres agredidos, hostilizados ou presos. Deste total, 20 ocorrências (agressões e hostilidade) envolviam manifestantes, e 65, policiais (agressão, hostilidade ou detenção).

A Abraji condena todos os atos de violência e lamenta que a imprensa siga sendo alvo tanto de manifestantes quanto de agentes do Estado. Tentar cercear o trabalho da imprensa é atentar contra o direito à informação e um risco para a democracia.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Fotojornalista indiana é vítima de estupro coletivo em Mumbai

Uma jovem fotojornalista indiana foi estuprada por cinco homens ao fazer uma reportagem para uma revista estrangeira na cidade indiana de Mumbai, informou a polícia nesta sexta-feira (23).

A agressão ocorreu no fim da tarde de ontem em um complexo têxtil abandonado conhecido como Shakti Mills no bairro de Mahalaxmi da metrópole financeira, contou o policial à agência "Ians".

Um companheiro de trabalho da mulher foi agredido e amarrado com uma corda enquanto pelo menos três dos cinco homens se revezavam para estuprá-la.

Os agressores fugiram após o crime e as autoridades já detiveram cinco suspeitos. A polícia se recusou a dar detalhes sobre eles, dizendo se tratar de "um caso delicado".

Após o ataque, a jovem foi levada para o hospital Jaslok e os médicos disseram que seu estado de saúde é estável.

Desde o fim de 2012, a Índia vem se chocando mais intensamente com os contínuos casos de violência sexual que chegaram às capas da imprensa local e internacional. O endurecimento das penas para os agressores têm sido discutido. O país também tem tomado medidas para prevenir os crimes, mas ativistas dizem que as indianas correm o risco de ter sua liberdade e seus direitos ainda mais cerceados. O policiamento moral, por exemplo, tem feito com muitas mulheres evitem sair de casa e frequentar bares e restaurantes.

Os escândalos chegaram a afetar os números do turismo internacional na Índia, segundo dados oficiais e de operadores turísticos, e as autoridades modificaram o Código Penal para endurecer as penas contra condenados por violação.

terça-feira, 16 de abril de 2013

3 a 1: Fotojornalismo, história e desafios

                          
O programa 3 a 1, da TV Brasil, exibido em 2/5/2012 com apresentação do jornalista Luiz Carlos Azedo, reuniu três gerações do fotojornalismo brasileiro: o veterano Gervásio Baptista, da Agência Brasil, Orlando Brito, da agência Obrito News, e Alan Marques, do jornal Folha de S.Paulo.  Eles contam casos dos bastidores da política nacional e das coberturas internacionais, como também de várias Copas do Mundo e Olimpíadas. Discutem estética da imagem e as transformações tecnológicas na fotografia da era digital.

Com imagens, eles ajudam a construir a memória política do Brasil. Gervásio Baptista, chamado com respeito de "professor" pelos outros dois entrevistados, começou a fotografar políticos no Governo Getúlio Vargas, na década de 1930. De lá para cá, suas lentes flagraram todos os presidentes da República do país. Gervásio é autor da famosa foto de JK saudando os brasileiros, levantando a cartola, na inauguração de Brasília. Também foi ele quem registrou as últimas fotos de Tancredo Neves, vivo no Hospital de Base de Brasília. Gervásio Baptista também foi à guerra -- do Vietnã, revoluções -- como a Cubana e inúmeros episódios da história recente brasileira.

Orlando Brito acompanha a política brasileira há 46 anos, desde o governo Castelo Branco (1964-1967), no período da Ditadura Militar. O fotógrafo, mineiro que chegou a Brasília no início da construção da nova capital, define o poder, e não apenas a Presidência, como a sua área de cobertura. Premiado até no exterior, Brito é autor de várias capas da Revista Veja, registrando momentos históricos em Brasília. E é dele o registro, em plena ditadura militar, da foto do general Geisel, em calção de banho, em uma praia do Rio Grande do Norte. Orlando Brito é autor de cinco livros de fotografia, com registros de temas da política, economia, questões sociais, esportes e muitos outros.

Alan Marques, o mais novo dos três, é de uma família de fotógrafos e tem sido testemunha da cena política brasileira, desde o governo Fernando Collor de Mello (1990-1992). Em 2011, lançou o livro "Nunca antes - Uma viagem em 88 fotos pela era Lula", após ampla cobertura fotográfica do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010). É de Alan Marques uma foto premiada, quando captou um raio caindo no prédio do Congresso Nacional e capa da Folha de S. Paulo, em tempos de crise política.

Neste 3 a 1, os craques do fotojornalismo contam casos dos bastidores da política nacional e das coberturas internacionais, como também de várias Copas do Mundo e Olimpíadas. Discutem estética da imagem e ainda as transformações tecnológicas na fotografia, na era digital.
A apresentação do 3 a 1 é do jornalista Luiz Carlos Azedo.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Instantâneos da história



Reproduzido do suplemento “Ilustríssima” da Folha de S.Paulo, 6/1/2013


No final dos anos 1920, com as limitações da indústria gráfica, os jornais raramente traziam aos leitores notícias ilustradas. A fotografia era praticada sob limitações, como o formato das câmeras, as chapas de vidro e o uso necessário de tripés. Os lentos processos de revelação e copiagem eram seguidos pela transposição da imagem para o clichê e pela impressão nos jornais.

O fotógrafo, que operava sob condições precárias – chapas de baixa sensibilidade, iluminação gerada pelo pó de magnésio e, frequentemente, com a câmera apoiada –, raramente obtinha um flagrante. As fotos eram posadas, tirando-lhes o encanto do momento, da espontaneidade.

Na virada da década, o Brasil experimentava um quadro político de transição, às vésperas da Revolução de 1930. A criação de uma publicação com características modernas para a época foi uma sugestão de Getúlio Vargas, ainda presidente do Estado do RS, a José Bertaso. Nascia, assim, em Porto Alegre, em 1929, a Revista do Globo.

Alguns anos antes, Getúlio, então ministro da Fazenda, em troca de apoio político, havia financiado a iniciativa de Assis Chateaubriand de criar a revista O Cruzeiro. A imprensa brasileira ganhava uma nova linguagem gráfica, complementando as reportagens, até então, pobremente ilustradas. Nascia, ao mesmo tempo, o fotojornalismo, ferramenta que daria dinâmica ímpar à informação. O fotojornalismo chegou ao Brasil à sombra de uma aventura política que mudou o país. E a ela permaneceria próxima, tão parte do nosso dia a dia.

A grande mostra dessa proximidade estava nas imagens – hoje de grande valor histórico – de um grupo de gaúchos amarrando seus cavalos no obelisco existente na avenida Rio Branco, no Rio. Imagem dinâmica que se seguiu à emblemática fotografia do carro oficial que transportava em seu interior o já ex-presidente Washington Luís para fora do Palácio do Catete, a caminho do exílio.

Em um dos seus primeiros números, na edição de 10 de novembro de 1928, O Cruzeiro publicara um anúncio que instituía um prêmio de 500 mil-réis destinado ao fotógrafo, profissional ou amador, que apresentasse o instantâneo inédito de um acontecimento que pudesse ser considerado sensacional pelo assunto e pela técnica de execução.

Aventura 

A partir desse espírito, pela objetiva de fotojornalistas da equipe de O Cruzeiro, começou a ser ilustrada a história dessa grande aventura brasileira. Pautado pelo chefe de reportagem, lá vai ele, mundo afora, o andarilho dotado de coragem e criatividade: não sabe o que lhe aguarda, prefere mesmo não saber.

Hoje numa cidade moderna, ontem no sertão, antes numa tribo de índios, com os xavantes, por exemplo, fotografados pela primeira vez, frente a frente, por José Medeiros. Ou com os ianomâmis, que hospedaram o fotógrafo por 40 dias, numa aldeia de onde ficou impossível sair pela força das águas numa cheia de um rio.

Um dia, sem comida, entrou em confronto com o colega Arlindo Silva, velhos amigos, os dois armados, pela disputa de uma coxa de macaco. Fome faz dessas. Depois, riram muito e dividiram a pouca carne. Ou fechado numa camarinha, como nos 15 dias em que Medeiros acompanhou a iniciação de iaôs, as filhas de santo, na Bahia. Ou fotografando estoicamente o colega José Leal ser surrado pela polícia, em Pernambuco, a mando de um chefe de polícia cuja mulher foi delatada pelo jornalista, nas páginas de O Cruzeiro, por ostentar joias roubadas.

Na Assembleia Legislativa de Alagoas, José Medeiros estranhou que, numa tarde de sol e imenso calor, vários deputados entrassem na casa com pesadas capas de chuva: as metralhadoras só foram reveladas quando o tiroteio começou. Orlando Villas-Bôas estranhou um grupo de índios xavantes cantando de forma diferente do habitual. Foi na direção da cantoria e se deparou com José Medeiros deitado numa rede, cercado de uns dez índios, a quem ensinava a letra de “Nature Boy”.

Por aí afora, as aventuras de uns e outros foram se sucedendo. Contar todas é impossível. Eugênio Silva, do bureau de MG, exercia suas folgas pescando no rio das Velhas e devolvendo às águas os peixes que fisgava. Acompanhou Guimarães Rosa, a cavalo, para documentar as andanças do escritor pelos “grandes sertões veredas”. Ficaram grandes amigos, e Eugênio chorou a morte do acadêmico, três dias depois de tomar posse na Academia Brasileira de Letras.

Indalécio Wanderley, especialista em concursos de misses, propôs casamento a uma candidata desde que ela abandonasse a disputa. Casaram-se e tiveram filhos.

Luciano Carneiro veio para o Rio pilotando um teco-teco, tirou brevê de paraquedista com Charles Astor e partiu para o aventureirismo que a fotografia brasileira esperava. Foi procurar, África adentro, o dr. Schweitzer, médico que mantinha uma colônia de leprosos em Lambarene. De lá, trouxe magistral documentário, operado com câmera Leica, em preto e branco, fotos feitas com a luz ambiente.

Viajou para a Coreia para cobrir a guerra. Para convencer um coronel que poderia saltar com as tropas americanas – por sugestão do militar –, Luciano subiu numa mesa e mostrou como se jogar no espaço. Foi aprovado, saltou, fotografou durante o tempo em que esteve solto no espaço. Foi à frente de batalha e voltou para o Rio, são e salvo. Morreu num acidente como passageiro de voo comercial, voltando de Brasília, onde fora fotografar um desfile de debutantes.

Henri Ballot, que trabalhava no escritório da revista em São Paulo, fazendo dupla com Jorge Ferreira, era dotado de grande coragem. Acompanhando Orlando Villas-Bôas, legou ao arquivo da revista os melhores momentos de um Brasil central sendo descoberto. Na juventude, foi membro da Força Aérea da França Livre, braço de pilotos franceses da RAF, a Força Aérea Real, da Inglaterra.

Ballot voava num Spitfire quando foi abatido sobre a Alemanha. Levado para um hospital americano, foi pela mão de uma enfermeira que tomou contato com a sua primeira câmera fotográfica. Saiu da convalescença, meses depois, já fotógrafo. Depois, trouxe para a aventura fotojornalística a mesma coragem de piloto de guerra. [...]

Meias verdades 

A revista trazia em seu trajeto uma série de assuntos nunca bem explicados – Jean Manzon, autor de fotos posadas; verdades somadas a meias verdades, estas assinadas por David Nasser – e que comprometiam o que era esperado de uma publicação que havia conquistado alto grau de credibilidade junto ao público de todo o país.

Luiz Carlos Barreto, junto com Indalécio Wanderley, jovens cearenses, começaram na redação da revista A Cigarra, editada pela Empresa Gráfica O Cruzeiro. Tinham a ideia de formar uma dupla, Indalécio, fotógrafo amador, e Barreto, recém-saído das fileiras da Polícia do Exército.

A convivência nos corredores da redação os levou para as páginas da grande revista. Finalmente integrados na equipe de O Cruzeiro, cada um foi para o seu lado, amadurecidos para o dia a dia que a pauta da redação determinava.

Numa viagem à França, Barreto acompanhou Chateaubriand a Cannes para um almoço oferecido a grandes nomes da imprensa internacional pela proprietária do Grupo Life-Time, Clare Boothe Luce. Como Chatô dormia a qualquer momento, em qualquer lugar e a qualquer hora, pediu que o fotógrafo, dispensado de fotografar, sentasse à mesa, à sua frente, para acordá-lo caso fosse tomado pelo infalível sono.

“Seu Barreto”, Chatô nos tratava a todos desta forma cordial, “essa americana é uma chata, fala demais, vou ter que sentar ao lado dela. Se eu dormir, cutuque a minha canela para me acordar.” Dito e feito, no decorrer do almoço, Chatô dormiu e acordou várias vezes, resultado da prosaica ação praticada por Barreto.

No Rio, ao voltar, Leão Gondim ouviu do grande chefe a reclamação de que Barreto poderia ter sido “mais delicado”, mostrando a canela marcada pelas cicatrizes deixadas pela boa ação praticada pelo jovem repórter.

Indalécio ocupou-se em fotografar para capas de O Cruzeiro, em especial a cantora Dóris Monteiro, à época mais um caso amoroso de Assis Chateaubriand.

Trotsky 

Mário de Moraes teve sua aventura internacional no México, em 1956, ao tentar entrevistar o assassino do ex-comissário soviético Leon Trotsky, o “profeta armado da Revolução Russa de 1917”, tarefa até então tida como impossível, já que ele, conhecido como Jacques Monard, nunca havia dado entrevista. Quando um repórter insistia, ele ficava furioso, tendo até agredido alguns jornalistas. Na penitenciária mexicana onde Monard se encontrava, Mário de Moraes conseguiu uma entrevista com o diretor-geral. Disse que estava fazendo uma reportagem para O Cruzeiro sobre o sistema penitenciário mexicano, tido como um exemplo mundial em organização:

“Levou-me a conhecer o estabelecimento, e, na visita, acabamos nas oficinas, onde Monard trabalhava, e fomos apresentados. Não lhe dei a menor importância, já que isso fazia parte do meu plano. Conversamos um pouco, até que, levado por uma vaidade mórbida, o assassino de Trotsky me indagou se eu sabia quem era ele, disse que não, e ele foi contundente:

“– Sou Jacques Monard, o assassino de Leon Trotsky.

“Eu chegara aonde queria, fui arrancando-lhe informações, e Monard foi claro, matara Trotsky porque ficara desiludido com ele. A história provou que isso era falso: Monard conseguira aproximar-se de Trotsky por meio de uma secretária do ex-comissário soviético, e, cumprindo ordens (possivelmente de Stálin), matou-o com uma picareta de alpinista, que levara escondida debaixo de seu sobretudo. Quando percebi que já tinha o suficiente para dar um “furo” internacional, contei a Monard que era jornalista. Ele ficou a ponto de me atacar, mas terminou aceitando o fato, afinal reconheceu que revelara para mim o que não havia dito e nenhum outro jornalista. Poucas fotos foram discretamente feitas, a meu pedido, com a minha Leica, por um funcionário da penitenciária.”

Jacques Monard chamava-se realmente Ramón Mercader e era agente da polícia secreta de Stálin. Ele fora condenado a 20 anos de prisão no México. Quando saiu da cadeia, foi para a União Soviética, mas faleceu em Cuba.

Ubiratan de Lemos era um repórter investigativo e foi dos poucos que nunca se arvorou a fotografar. Mário de Moraes, também redator, fotografava. Numa época em que o bairro de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, era o reduto/destino de retirantes vindos do Nordeste, viajando, penosamente, em caminhões apelidados de pau de arara, os dois voaram para Fortaleza e, de lá, acompanharam uma leva de gente que vinha buscar uma nova oportunidade de vida no sul. A matéria – com fotos de forte dramaticidade – foi publicada com grande destaque em seis páginas. Deu à dupla de repórteres o primeiro Prêmio Esso de Reportagem, instituído naquele ano.

***

[Flávio Damm, 84, é fotógrafo. Trabalhou por uma década e meia na revista O Cruzeiro e fundou, com José Medeiros, a agência Image. Uma seleção de seu trabalho pode ser conhecida no livro Flávio Damm (Editora Senac)]

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Fotojornalista francês expõe a "realidade caótica" do México em livro

De 2008 a 2011, o fotojornalista francês Jerome Sessini adentrou em algumas das mais violentas cidades do México - Culiacán, Tijuana, and Ciudad Juárez – e documentou a crescente “decomposição” da população do país.

Publicadas em um livro intitulado “The wrong side”, as fotografias oferecem uma visão nítida das paisagens urbanas da fronteira mexicana, informa a New Yorker. “Eu sempre fui fascinado pelo México”, diz Sessini.

“Eu achei necessário entrar nessas casas, ouvir a história dos trabalhadores, prostitutas e viciados em heroína, e mostrar uma imagem mais realista disso tudo, diferente da imagem clichê do traficante mexicano com um bigode e um rifle dourado”, conta o jornalista.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Foto esquecida em roupa ajuda PM a localizar assaltante em Araxá, MG


Uma foto 3x4 esquecida no bolso de uma roupa ajudou a Polícia Militar (PM) a localizar um jovem de 20 anos que era suspeito de ter assaltado uma residência na tarde dessa quarta-feira (28) em Araxá, no Alto Paranaíba.

Segundo a PM, o autor invadiu a casa de uma mulher de 47 anos, levou peças de roupas, produtos de higiene pessoal, um aparelho de som e um par de tênis. Além disso, ele trocou de roupa no local e deixou dentro das vestes uma foto dele, que auxiliou os militares na busca pelo rapaz, que já era conhecido no meio policial.

Ainda de acordo com a PM, quando abordado, o jovem confessou o crime e relatou que já tinha trocado parte do material furtado por drogas. O restante dos produtos foi reconhecido pela vítima e o autor encaminhado para a delegacia para prestar esclarecimentos.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Após agredirem fotógrafo, dois policiais são suspensos na Colômbia

Durante a cobertura de uma briga, um fotógrafo do El Universal levou um golpe de um policial e teve sua câmera tomada, informou o portal colombiano, nesta segunda-feira (12/11). Os responsáveis pela agressão foram suspensos.

A câmera de Nayib Gaviria só foi devolvida depois de o fotógrafo prestar queixa. Os oficiais envolvidos alegavam que se sentiram intimidados com a presença do profissional registrando a ação.

A tenente responsável pela patrulha se desculpou pelo ocorrido e o comandante da Polícia Metropolitana de Cartagena, general Carlos Rodriguez, anunciou a suspensão temporária de dois policiais envolvidos.

“É lamentável e, pessoalmente, não quero que o agente perca o emprego, mas isso deve servir como uma mensagem para as autoridades, para reagir melhor a situações de pressão", disse Santiago Preciado, repórter que acompanhava o fotógrafo.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Saída fotográfica é destaque na 6ª Semana de Fotojornalismo da USP


A Semana de Fotojornalismo organizada pela Jornalismo Júnior, empresa júnior de jornalismo da ECA USP, chega à sua 6a edição com o tema Caos. O evento, que acontece de 20 a 24 de agosto, reúne profissionais de destaque na área e promove troca de experiências entre palestrantes, estudantes e demais interessados em fotojornalismo e fotografia.

O tema foi escolhido baseado nos recentes acontecimentos, como a Primavera Árabe, Occupy Wall Street, Indignados na Espanha, conflitos na Líbia e Síria. O evento também relembra movimentos nacionais, como as reintegrações de posse do Pinheirinho em São José dos Campos ou embates entre traficantes e policiais nos morros do Rio de Janeiro.

A atuação e dificuldades encontradas pelos fotojornalistas em situações de conflito, catástrofes, sofrimento, desorganização e caos serão alguns dos tópicos abordados ao longo do evento.

Para praticar algumas técnicas de fotografia, a semana é marcada pela Saída Fotográfica. Os participantes irão fotografar um lugar da cidade baseados no tema do evento, que será divulgado durante as palestras. As fotos entregues à organização do evento serão expostas ao fim do evento, no coquetel de encerramento.

As três melhores fotografias serão premiadas. Para o primeiro lugar, o prêmio é uma câmera Canon T3. O vencedor do segundo lugar receberá um curso na Escola de Fotografia Techimage. O prêmio para o terceiro lugar é um exemplar dos livros: "Caçadores de Luz: Histórias de Fotojornalismo" - Alan, Lula e Sérgio Marques; "68 destinos: Passeata dos 100 mil" - Evandro Teixeira; e "Curdos, Uma Nação Esquecida" - Rogério Ferrari.

As inscrições vão até o dia 19 de agosto e são gratuitas. Podem se inscrever alunos de jornalismo ou de outras faculdades, profissionais e interessados em fotojornalismo. É necessário entregar 1kg de alimento não perecível, que serão doados para ação social. Serão entregues certificados de participação aos presentes em pelo menos 3 dias do evento (exceto Saída Fotográfica).

Inscrições no site: http://www.semanadefoto.jornalismojunior.com.br/

sábado, 2 de junho de 2012

Resenha-Resumo do filme Repórteres de Guerra


Ken Oosterbroek,João Silva,Kevin Carter e Greg Marinovich(da esq.para dir.)

O filme Repórteres de Guerra, de Steven Silver, trata da rotina de trabalho de um grupo de fotojornalistas em meio a Guerra Civil na África do Sul entre os anos 1990 e 1994. O trabalho deles consistia em trazer para o jornal em que trabalhavam, fotografias que retratassem o momento de tensão naquele país, que vivia sob o regime do Apartheid. Este segregava as pessoas socialmente de acordo com a cor da pele.

A abertura do filme começa pelo final. O fotógrafo Kevin Carter é perguntado sucessivas vezes por uma mulher em um programa de rádio se ele havia salvado a criança que estava prestes a ser devorada por um abutre. A situação era uma referência a uma fotografia que Kevin Carter havia feito com essa composição, o que lhe rendeu um prêmio Pulitzer.
A partir daí, o filme passou a contar a história do início e contextualizou os acontecimentos para que chegasse ao final.


De início foi mostrado um fotógrafo que fazia trabalhos freelances e vendia para os jornais o que havia produzido. Greg Marinovich fazia de tudo com fotografia, ainda não tinha um estilo próprio. Até que conseguiu adentrar numa aldeia de combatentes de guerra, pegou a confiança daquelas pessoas ao dizer que queria a verdade dos fatos conhecendo-os e fez fotografias de situações ainda não vistas na guerra por estar num ambiente privilegiado em que outros fotógrafos não haviam ido.


Greg ganhou respeitabilidade da editoria de fotografia, admiração de fotógrafos titulares do jornal e uma câmera nova. Estava tudo pronto para ele sair com o trio de loucos (Kevin Carter, Ken Oosterbroek e João Silva) e pegar as situações mais chamativas da guerra. O grupo estampou fotos nas matérias, fotos de capa e fotos para outros jornais e agências internacionais.
Foto prêmio Pulitzer de Fotojornalismo(Foto:Greg Marinovich)


O ápice do novato se deu ao ganhar um prêmio Pulitzer com a fotografia que rodou o mundo de um homem pegando fogo recebendo de outro um facão no pescoço. Diante do sucesso, o grupo de fotógrafos recebeu, sem saber, a denominação de “Clube do Bang-Bang” por parte de outras pessoas. O nome “Bang-Bang” nasceu de um artigo publicado numa revista Sul Africana. O “bang-bang” era uma referência à violência que ocorria dentro das comunidades, e ao som comum de tiros nas ruas e estradas.
Greg Marinovich sendo representado no filme


Porém, a denominação não foi aceita pelos fotógrafos por considerar pejorativo, como se eles fossem apenas seres que queriam imagens de pessoas morrendo, sem humanidade alguma. Isso fez com que Greg entrasse num conflito interno, questionando para que o seu trabalho servia, se ganhar prêmios pessoais era mais importante que preservar vidas.
Kevin Carter representado
Kevin Carter representado



A incerteza de Greg foi o inicio da derrocada do Clube do Bang-Bang. Logo depois, Kevin Carter foi demitido pelas suas crises com drogas que estavam prejudicando seu trabalho.
Foto prêmio Pulitzer 1994 (Foto:Kevin Carter)


Porém, foi diante dessa situação que Carter partiu sozinho para a Somália, onde fez a foto que deu o seu Pulitzer, a famosa foto do urubu esperando a criança morrer para devorá-la.
Ainda na guerra, outro fator para a extinção do Clube do Bang-Bang foi a morte de Ken Oosterbroek, que não resistiu a um tiro em que tomou num dos combates. Greg tomou um tiro no mesmo combate, mas sobreviveu.
Imagem real de Ken Oosterbroek,morto em conflito



No final do filme, houve o retorno da situação inicial do mesmo: Kevin Carter falando da foto que lhe rendeu o Pulitzer. Ele é bombardeado pela entrevistadora e por mensagens que chegam a ela, perguntando se Carter havia ajudado a criança. Carter ficou calado, e até hoje persiste o mistério sobre o que aconteceu depois do ato fotográfico. 

Imagem real de Kevin Carter,que cometeu suicídio
Logo depois, Carter se tranca dentro do seu carro, e num momento de série de questionamentos a si mesmo, comete suicídio ao ligar gás hidrogênio através de uma mangueira que ia até o interior do veículo.
Foto real de João Silva(à esq) e Greg Marinovich,que foram os sobreviventes do Clube do Bang-Bang


Por fim, o filme mostra que os dois fotógrafos sobreviventes do Clube do Bang-Bang tomaram rumos diferentes. Enquanto Greg Marinovich tomou mais três tiros em países como Sudão, Sérvia e Angola e depois disso parar de fotografar combates, João Silva foi contratado pelo New York Times para fotografar guerras em diferentes países, entre eles o Afeganistão e Israel.

Fotos feitas pelo Clube do Bang-Bang






 


 Trailer do filme:






sexta-feira, 4 de maio de 2012

"O Globo" apoia World Press Photo e promove encontro com fotojornalistas no RJ


O jornal O Globo está apoiando a World Press Photo (WPP), importante exposição de fotojornalismo, que acontecerá entre os dias 8 de maio e 3 de junho no Rio de Janeiro. Por essa razão, na próxima quarta-feira (9/5), o veículo promoverá um "Encontros O Globo" com os fotojornalistas Samuel Aranda (Espanha) e Alejandro Kirchuk (Argentina), premiado na categoria Vida Cotidiana.

A mediação será feita pelo editor de imagens multiplataforma do O Globo Ricardo Mello com a participação e Alexandre Sassaki, editor de fotografia da publicação, informou o Portal da Propaganda. 

O WPP 2012 apresentará ao público carioca 170 fotos de 57 fotógrafos consideradas como as melhores imagens publicadas pela imprensa mundial em 2011 sobre diferentes assuntos como política, economia, esportes, cultura e natureza.