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domingo, 26 de maio de 2013

Fotógrafo do O POVO, André Salgado, morre ao cair de prédio em Natal

O fotógrafo do O POVO, André Salgado, morreu, na manhã deste domingo, 26, ao cair do 21º andar do Condomínio Jardins do Alto, localizado na zona Leste de Natal, no Rio Grande do Norte.

De acordo com informações do Instituto Técnico e Científico de Polícia (Itep), para onde o corpo foi levado, André, de 24 anos, estava fotografando amigos na sacada do 21º andar do edífício, quando, ao passar de uma laje para outra, se desequilibrou e caiu de uma altura aproximada de 100 metros. O acidente ocorreu por volta das 10h20min. Ele morreu instantaneamente.
Foto: Ricardo Araújo/Tribuna do Norte
A tia de André, Tânia Salgado, informou ao O POVO Online que o corpo já foi liberado pelo Itep, mas que ainda aguarda autorização do cartório para ser realizado o traslado pela funerária. Ela disse que o velório de André ocorrerá no Parque da Paz, provavelmente no fim da tarde desta segunda-feira, 27.

Dilson Alexandre, coordenador dos cursos de jornalismo e publicidade da Faculdade 7 de Setembro (Fa7), onde André cursava o último ano de publicidade, lamentou a morte do estudante, lembrando que ele era um jovem "muito alegre e criativo". "Amanhã será um dia de prestar homenagens ao André. Os colegas estão selecionando fotos tiradas por ele durante o curso para uma exposição, que será realizada em breve na faculdade", disse o coordenador.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Por que morrem tantos fotógrafos de guerra?


A morte do cinegrafista francês Gilles Jacquier, 43, na cidade de Homs, na Síria, no dia 11 de janeiro, vem se somar a uma longa lista de repórteres de imagens mortos em áreas de conflito na história recente do jornalismo.

Antes dele, a Primavera Árabe já tinha tirado de um só golpe a vida de dois importantes fotógrafos de guerra da atualidade, o inglês Tim Hetherington e o americano Chris Hondros. Os dois morreram na Líbia, em abril de 2011, atingidos por um morteiro disparado pelo Exército do ditador Muammar Gaddafi em Misrata, cidade controlada pelos rebeldes (que viriam a vencer a guerra civil no país). O petardo ainda feriu outros dois fotógrafos.

Hetherington vinha de anos de produção consagradora cobrindo a ocupação americana do Afeganistão. Ali, ele fez a foto que ganhou o Prêmio World Press (o "Oscar do fotojornalismo") de 2007 e realizou, com câmera de última geração, o longa "Restrepo", indicado ao Oscar de documentário e escolhido como melhor filme do festival Sundance em 2010.

Em entrevista à então correspondente da Folha em Washington, Andrea Murta, no lançamento do filme, Hetherington disse que "é muito fácil ficar viciado" em guerras. A frase lembra a de Duck, personagem do filme "A Caçada" (2007), ficção baseada em fatos reais na Bósnia: "Estar tão perto da morte e sentir-se assim tão vivo é viciante. Quem disser o contrário estará mentindo".

A morte de Hetherington teve várias coincidências com a do maior fotógrafo de guerra de todos os tempos, Robert Capa (1913-54), no Vietnã. Ambos morreram aos 40, em conflitos assimétricos, em países do terceiro mundo, já consagrados e experimentando uma ampliação da carreira para o cinema.

Guerras matam muitos jornalistas. Mas, entre eles, fotógrafos e cinegrafistas são as principais vítimas. E a proporção cresceu nos últimos tempos. Relatório da ONG internacional Comitê para a Proteção de Jornalistas aponta que 40% dos jornalistas mortos em ação em 2011 eram fotógrafos ou cinegrafistas, o dobro da média histórica apurada desde 1992.

Ao produzir suas imagens, muitas vezes os repórteres fotográficos se expõem a riscos. Até mesmo jornalistas de texto ou de voz estão convictos de que os de imagem são os mais valentes, como escreve David Halberstam em "Requiem", homenagem aos 135 fotógrafos que perderam a vida na mesma guerra do Vietnã que matou Capa: "Nós, jornalistas de texto, sempre soubemos que os fotógrafos eram realmente os corajosos. Só existe uma forma de eles produzirem intimidade com a cena: serem testemunhas oculares".

Há várias razões para essa exposição ao risco. O vício mencionado por Hetherington pode ser uma delas, mas certamente tem grande importância a ideia expressa na frase de Capa: "Se suas fotos não estão boas o suficiente, é porque você ainda não está perto o suficiente", como consta no livro "Ligeiramente Fora de Foco" [trad. José Rubens Siqueira, Cosac Naify, 296 págs., R$ 69], que narra sua participação na Segunda Guerra Mundial.

Desde Capa, a proximidade do repórter fotográfico em relação ao objeto passou a ser uma lei da fotografia, um regimento profissional, que prescreve opções subjetivas, estéticas, as quais se confundem com imposições técnicas e objetivas. O mandamento de Capa constituiu uma gramática da fotografia de guerra (o sujeito deve estar junto de seu objeto), mas impõe um efeito colateral: a morte frequente.

Teleobjetivas

Ao aplicar sua concepção teórica, Capa recusava as teleobjetivas, preferindo as lentes de 50 mm, que os fotógrafos chamam de "lente normal" por ser a que melhor reproduz o ângulo de visão do homem.
A 50 mm capta a imagem de objetos que estão em um campo de 45º à frente, muito semelhante ao campo de visão do olho humano. Mais longas, as teles só deixam entrar a imagem de objetos que estão num pequeno campo de visão. Por isso eles parecem tão ampliados: porque uma pequena fração da imagem ocupará toda a foto.

Uma tele de 600 mm tem um campo visual de apenas 4°. Esse "afinamento" provoca outro efeito: a perspectiva se desfaz, some a percepção das diferentes distâncias dos objetos, tudo o que aparece na foto parece estar à mesma distância. A tele "chapa" o fundo, como acontece com a visão de um homem que vê com um só olho.

Ao dizer que uma foto é boa quando feita de perto, portanto, Capa elabora um conceito estético mas também técnico, a partir da geometria, em busca do que considera a perspectiva "verdadeira".

Ética

Sua ideia tem também uma decorrência ética: se a foto feita de longe distorce a posição dos elementos, ela fere o princípio de fidelidade do jornalismo.
 
Um fotógrafo, no entanto, usou a teleobjetiva para produzir uma grande foto cujo impacto vem exatamente da redução da profundidade. O sul-africano Kevin Carter foi colhido por uma polêmica em 1994, quando conquistava um dos maiores prêmios do jornalismo internacional, o Pulitzer.

Carter era parte de uma turma de jovens e audazes fotógrafos brancos, nascidos na África do Sul do apartheid, que se destacara na cobertura dos conflitos que quase resultaram em guerra civil na transição para a democracia multirracial criada sob o governo de Nelson Mandela, no início dos anos 1990.

Kevin e seus amigos estavam sempre a postos para testemunhar casos de violência, conforme conta o "Clube do Bangue-Bangue" [trad. Manoel Paulo Ferreira, Companhia das Letras, 344 págs., esgotado], escrito por dois deles, Greg Marinovich e João Silva.

Carter foi para o Sudão em março de 1993, para documentar a guerra civil entre tribos cristãs e o governo islâmico. Lá, fez uma foto muito impressionante num acampamento de refugiados: um menino subnutrido à beira da exaustão é observado por um abutre que parece esperar sua morte.

A foto é chocante. Publicada pelo "New York Times", correu o mundo. No ano seguinte, ganhou o Pulitzer de fotografia, o que deflagrou uma intensa polêmica: o que ele fez para salvar a criança? Como fotógrafo, buscou a foto chocante em vez de espantar o bicho? 
Pulitzer de 1994 com a foto de uma criança subnutrida observada por um abutre, no Sudão(Foto:Kevin Carter)


A polêmica, porém, é toda imotivada: a foto sugere algo irreal. Há uma ilusão de óptica: a imagem foi feita com uma tele de 180 mm, que distorce a perspectiva. O abutre parece estar mais perto, o que dá a falsa impressão de espreita.

Carter caiu em depressão meses depois de receber o prêmio e veio a se matar no mesmo ano. Sua foto é um exemplo de como a aura de pecado se abate sobre quem não segue o mandamento de Capa.

Navalha

A administração da distância é o fio da navalha sobre o qual se move o fotógrafo: se fica muito longe, não consegue uma cobertura "quente"; se chega muito perto, corre perigo de morte. Ao mesmo tempo, a proximidade expõe ao risco de produzir um retrato parcial do conflito.

O senso comum fixou a ideia de que o risco é inerente à fotografia de guerra, uma vez que ela só poderia se realizar a pequena distância do fato, o que muitas vezes implica risco de morte ou parcialidade. A tensão entre proximidade, risco e adesismo se cristalizou no cinema em filmes que têm fotógrafos como personagens, como "Sob Fogo Cerrado" (1983), de Roger Spottiswoode, "Salvador, O Martírio de um Povo" (1986), de Oliver Stone, e "Antes da Chuva" (Milcho Manchevski, 1994).

Mas uma análise dos equipamentos e da técnica fotográfica revela que a necessidade de proximidade em relação à fonte do risco de morte é falsa. O exemplo mais conhecido é a cobertura de eventos esportivos. A fotografia esportiva mostra que hoje já é possível retratar as cenas com precisão sem chegar tão perto.

Evolução

Depois de anos de uma evolução estética que resultou em fotos absolutamente fechadas (em vez de um gol, o fotojornalismo dos anos 80-90 tentava mostrar detalhes como a expressão facial do autor do gol ao chutar), a foto esportiva vem recuperando os planos abertos, que permitem ver as jogadas e seus contextos.

Paralelamente, a evolução dos equipamentos, com a fotografia digital superando a resolução dos filmes químicos, torna possível, por exemplo, captar a imagem de um campo de futebol inteiro e recortar da imagem a cena específica que interessa publicar.

Essa possibilidade técnica, no entanto, tem sido refutada sob o argumento de que pode significar falseamento. É uma decisão coerente com o mandamento de Capa, mas que não se justifica à luz da técnica em si, e possivelmente nem da ética, caso se compare o ganho, com a redução de mortos e feridos, com os riscos de eventual adulteração da imagem (até porque os registros que a câmera eletrônica produz sobre seus fotogramas são detalhados como um RG e podem ser usados para conhecer as alterações feitas no original).

Da mesma forma que nos estádios olímpicos, os recursos técnicos já poderiam dar aos repórteres fotográficos a chance de documentar cenas de conflito sem necessariamente se aproximar tanto de seu objeto.

Então, por que morrem tantos fotógrafos de guerra? Morrem por uma ideologia.

domingo, 11 de setembro de 2011

Fotógrafo morreu enquanto registrava a queda das torres no 11/9

(Foto:Bill Biggarts / Sipa Press)

Exatamente às 10h28m24s do dia 11 de setembro de 2001, o repórter fotográfico Bill Biggart, 54, tirou a última foto da sua vida.
Morador de Nova York, ele correu para o World Trade Center assim que soube, por um taxista, que a torre norte do complexo fora atingida por um avião. Entre 9h09 e 10h28 daquela terça-feira, ele registrou mais de 300 fotos do maior ataque terrorista da história americana.
Talvez sem saber o real impacto do momento, às 10h28, Biggart morreu ao ser atingido pelos destroços do desmoronamento do prédio de 110 andares --que queimara por 102 minutos após ser atingido pelo voo 77 da American Airlines a cerca de 790 km/h.
"Ele morreu na batalha e fazendo o que ele amava. Ele amava ser um fotógrafo e amava cobrir grandes acontecimentos ao vivo e este foi o maior acontecimento da década", disse sua mulher, Wendy Doremus
Última vez
Wendy contou o drama que viveu naquele 11 de setembro. O dia começou tranquilo. Eles deixaram o filho de 14 anos no seu primeiro dia de aula do ano, e foram passear com o cachorro da família.
"Era um dia de céu azul e não havia uma nuvem no céu. Um taxista comentou conosco: "vocês ouviram que o World Trade Center foi atingido?" Então nós olhamos para cima e havia uma única nuvem passando, da fumaça do prédio", relembra.
Ela perguntou então a Biggart se ele iria até o complexo. "Ele disse que sim e esta foi a última vez que o vi".
Wendy lembra que, assim como a maioria dos americanos, os dois pensavam que aquele era apenas um acidente de avião.
Somente pouco depois das 9h, quando soube que o segundo avião atingira a torre sul do WTC, ela percebeu que era muito mais do que um acidente.
"Eu liguei, liguei, liguei, mas ele não atendeu. Eu não sabia onde ele estava, ele apenas saiu de casa. Ele poderia ter ido ao WTC ou ao telhado do estúdio, de onde teria uma vista direta para as torres", lembra Wendy.
Pouco depois da torre sul desabar, a primeira das duas, às 9h59, ela finalmente conseguiu falar com Biggart. Ele garantiu, contudo, que estava seguro, com os bombeiros, e marcou de encontrá-la em 20 minutos em seu estúdio, a poucos minutos do WTC.
"Eu soube que algo estava errado quando ele não veio ao meu encontro. Ele teria voltado para trocar o equipamento, para pegar mais filmes, para trocar de roupas. Eu liguei várias vezes, mas ele não apareceu".
Busca
Wendy conta que ficou preocupada, mas se ateve à esperança de que Biggart estivesse entre os centenas de feridos levados de ferry para Nova Jersey.
"No dia seguinte, eu comecei a procurar por ele", diz Wendy, acrescentando que, na realidade, já imaginara que nunca mais veria seu marido. "Isso não era típico dele. Ele sempre voltava para casa, ele voltava de zonas de guerra, de qualquer lugar do mundo".
Câmeras do fotógrafo Bill Biggart, que morreu no desmoronamento da torre norte do World Trade Center(Foto:Hugh Talman/France Presse)

Quatro dias depois dos atentados, Wendy recebeu a notícia de que as equipes de resgate haviam encontrado o corpo de Biggart sob os escombros da torre norte do WTC, junto a crachás de imprensa queimados, três câmeras destruídas, seis rolos de filme e um cartão de memória intacto com 150 imagens.
"Eu nunca poderia imaginar que isto aconteceria na sua cidade. Ele apanhou em todos os lugares aos quais foi, sempre voltava com um olho roxo ou uma perna inchada. Mas você conhece sua cidade tão bem que nunca acha que vai ter problemas lá".
Somente três semanas depois do funeral que Wendy se lembrou das câmeras.
"Isso foi pior que ter que receber seu corpo. Porque eram dois cenários: ou nenhuma das fotos tinham saído e ele teria falhado em seu trabalho ou, se as fotos tivessem saído, eu veria o que ele viu com seus olhos, eu saberia exatamente o que ele fez em sua última hora e meia de vida", diz, acrescentando após uma pausa: "o que é difícil".
Vida após 11/09
Com a ajuda de um amigo jornalista de Biggart, Wendy decidiu publicar as fotos, que ocuparam páginas de revistas de várias partes do mundo, da "Newsweek" a "Paris Match".
As imagens estão também em uma exposição sobre o 11 de Setembro no Museu Newseum, em Nova York, que terá entrada gratuita no próximo fim de semana.
Wendy, contudo, vai passar o próximo dia 11 de Setembro como sempre fez: ignorando tudo. "Desligarei o rádio, a TV, o telefone", disse.
Ela não sabe ainda se estará na cidade, mas, desde que seus filhos se formaram na escola, costuma usar o mês de setembro para viajar. "É assim que eu olho pra isso: setembro é meu mês de férias", diz.
Brasil
Bill nasceu em Berlim, em 1947, o segundo mais velho dos 12 filhos de um militar americano conservador. Sua família foi obrigada a deixar a capital alemã em um dos últimos trens antes do Muro de Berlim ser erguido e decidiu então voltar aos Estados Unidos.
Em Nova York, Bill descobriu a paixão pela fotografia ainda jovem e ganhou sua primeira câmera aos 14 anos. Ele trabalhou como fotógrafo comercial e, em 1985, recebeu seu primeiro crachá de imprensa. Ele registrava tudo em branco e preto e só se rendeu às cores quando não pode mais fugir da era da fotografia digital.
Uma das fotos de Bill Biggart em sua viagem ao Rio de Janeiro, em 1978; ele registrou o carnaval na cidade(Foto:Bill Biggart)

Desde então, registrou o racismo em Nova York, o Ku Klux Klan no sul do país, a revolta palestina e os campos de refugiados em Israel, a vida em meio ao terrorismo na Irlanda do Norte e, voltando às raízes, a queda do Muro de Berlim.
Ele conheceu Wendy em Nova York e os dois vieram ao Brasil, mais especificamente Salvador, São Paulo e Rio, na lua de mel, em 1980. "Ele amava o Brasil", diz Wendy, que tem amigos por aqui. O fotógrafo já havia visitado o país dois anos antes, em 1978.