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domingo, 13 de janeiro de 2013

"Câmera Viajante". Documentário que trata da fotografia enquanto atividade profissional

A Câmara Viajante é um documentário que trata de uma maneira bastante especial a fotografia enquanto atividade profissional, mas indo além disso, mostra o caráter substantivo da fotografia em relação à emoção. O filme é construído por aquilo que seus cinco principais personagens são, ou seja, dão vida, corpo e alma ao filme.

Nele, os cinco fotógrafos ambulantes caracterizam um sentimento que cultivam pela fotografia: enquanto um fotografa e sente a responsabilidade que lhe cabe ao participar das bênçãos alcançadas por seus clientes, outro se entrega à alegria, autonomia e liberdade que o exercício dá, chegando a comparar a fotografia a uma boa cachaça.

Em certo momento, assistimos todo processo de venda e realização de uma foto. O fotógrafo, nesse meio, precisa também ser um bom vendedor, persuadir e convencer o futuro cliente da importância da recordação, e nesse momento o diretor parece ter acertado ao ponto de conseguir alguns bons risos dos espectadores.



Gênero: Documentário
Diretor: Joe Pimentel
Direção de fotografia: Tiago Santana
Elenco: Belo, Chico Alagoano, Dedé da Neusa, Isaías, Júlio Santos
Ano: 2007
Duração: 20 min

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Por que morrem tantos fotógrafos de guerra?


A morte do cinegrafista francês Gilles Jacquier, 43, na cidade de Homs, na Síria, no dia 11 de janeiro, vem se somar a uma longa lista de repórteres de imagens mortos em áreas de conflito na história recente do jornalismo.

Antes dele, a Primavera Árabe já tinha tirado de um só golpe a vida de dois importantes fotógrafos de guerra da atualidade, o inglês Tim Hetherington e o americano Chris Hondros. Os dois morreram na Líbia, em abril de 2011, atingidos por um morteiro disparado pelo Exército do ditador Muammar Gaddafi em Misrata, cidade controlada pelos rebeldes (que viriam a vencer a guerra civil no país). O petardo ainda feriu outros dois fotógrafos.

Hetherington vinha de anos de produção consagradora cobrindo a ocupação americana do Afeganistão. Ali, ele fez a foto que ganhou o Prêmio World Press (o "Oscar do fotojornalismo") de 2007 e realizou, com câmera de última geração, o longa "Restrepo", indicado ao Oscar de documentário e escolhido como melhor filme do festival Sundance em 2010.

Em entrevista à então correspondente da Folha em Washington, Andrea Murta, no lançamento do filme, Hetherington disse que "é muito fácil ficar viciado" em guerras. A frase lembra a de Duck, personagem do filme "A Caçada" (2007), ficção baseada em fatos reais na Bósnia: "Estar tão perto da morte e sentir-se assim tão vivo é viciante. Quem disser o contrário estará mentindo".

A morte de Hetherington teve várias coincidências com a do maior fotógrafo de guerra de todos os tempos, Robert Capa (1913-54), no Vietnã. Ambos morreram aos 40, em conflitos assimétricos, em países do terceiro mundo, já consagrados e experimentando uma ampliação da carreira para o cinema.

Guerras matam muitos jornalistas. Mas, entre eles, fotógrafos e cinegrafistas são as principais vítimas. E a proporção cresceu nos últimos tempos. Relatório da ONG internacional Comitê para a Proteção de Jornalistas aponta que 40% dos jornalistas mortos em ação em 2011 eram fotógrafos ou cinegrafistas, o dobro da média histórica apurada desde 1992.

Ao produzir suas imagens, muitas vezes os repórteres fotográficos se expõem a riscos. Até mesmo jornalistas de texto ou de voz estão convictos de que os de imagem são os mais valentes, como escreve David Halberstam em "Requiem", homenagem aos 135 fotógrafos que perderam a vida na mesma guerra do Vietnã que matou Capa: "Nós, jornalistas de texto, sempre soubemos que os fotógrafos eram realmente os corajosos. Só existe uma forma de eles produzirem intimidade com a cena: serem testemunhas oculares".

Há várias razões para essa exposição ao risco. O vício mencionado por Hetherington pode ser uma delas, mas certamente tem grande importância a ideia expressa na frase de Capa: "Se suas fotos não estão boas o suficiente, é porque você ainda não está perto o suficiente", como consta no livro "Ligeiramente Fora de Foco" [trad. José Rubens Siqueira, Cosac Naify, 296 págs., R$ 69], que narra sua participação na Segunda Guerra Mundial.

Desde Capa, a proximidade do repórter fotográfico em relação ao objeto passou a ser uma lei da fotografia, um regimento profissional, que prescreve opções subjetivas, estéticas, as quais se confundem com imposições técnicas e objetivas. O mandamento de Capa constituiu uma gramática da fotografia de guerra (o sujeito deve estar junto de seu objeto), mas impõe um efeito colateral: a morte frequente.

Teleobjetivas

Ao aplicar sua concepção teórica, Capa recusava as teleobjetivas, preferindo as lentes de 50 mm, que os fotógrafos chamam de "lente normal" por ser a que melhor reproduz o ângulo de visão do homem.
A 50 mm capta a imagem de objetos que estão em um campo de 45º à frente, muito semelhante ao campo de visão do olho humano. Mais longas, as teles só deixam entrar a imagem de objetos que estão num pequeno campo de visão. Por isso eles parecem tão ampliados: porque uma pequena fração da imagem ocupará toda a foto.

Uma tele de 600 mm tem um campo visual de apenas 4°. Esse "afinamento" provoca outro efeito: a perspectiva se desfaz, some a percepção das diferentes distâncias dos objetos, tudo o que aparece na foto parece estar à mesma distância. A tele "chapa" o fundo, como acontece com a visão de um homem que vê com um só olho.

Ao dizer que uma foto é boa quando feita de perto, portanto, Capa elabora um conceito estético mas também técnico, a partir da geometria, em busca do que considera a perspectiva "verdadeira".

Ética

Sua ideia tem também uma decorrência ética: se a foto feita de longe distorce a posição dos elementos, ela fere o princípio de fidelidade do jornalismo.
 
Um fotógrafo, no entanto, usou a teleobjetiva para produzir uma grande foto cujo impacto vem exatamente da redução da profundidade. O sul-africano Kevin Carter foi colhido por uma polêmica em 1994, quando conquistava um dos maiores prêmios do jornalismo internacional, o Pulitzer.

Carter era parte de uma turma de jovens e audazes fotógrafos brancos, nascidos na África do Sul do apartheid, que se destacara na cobertura dos conflitos que quase resultaram em guerra civil na transição para a democracia multirracial criada sob o governo de Nelson Mandela, no início dos anos 1990.

Kevin e seus amigos estavam sempre a postos para testemunhar casos de violência, conforme conta o "Clube do Bangue-Bangue" [trad. Manoel Paulo Ferreira, Companhia das Letras, 344 págs., esgotado], escrito por dois deles, Greg Marinovich e João Silva.

Carter foi para o Sudão em março de 1993, para documentar a guerra civil entre tribos cristãs e o governo islâmico. Lá, fez uma foto muito impressionante num acampamento de refugiados: um menino subnutrido à beira da exaustão é observado por um abutre que parece esperar sua morte.

A foto é chocante. Publicada pelo "New York Times", correu o mundo. No ano seguinte, ganhou o Pulitzer de fotografia, o que deflagrou uma intensa polêmica: o que ele fez para salvar a criança? Como fotógrafo, buscou a foto chocante em vez de espantar o bicho? 
Pulitzer de 1994 com a foto de uma criança subnutrida observada por um abutre, no Sudão(Foto:Kevin Carter)


A polêmica, porém, é toda imotivada: a foto sugere algo irreal. Há uma ilusão de óptica: a imagem foi feita com uma tele de 180 mm, que distorce a perspectiva. O abutre parece estar mais perto, o que dá a falsa impressão de espreita.

Carter caiu em depressão meses depois de receber o prêmio e veio a se matar no mesmo ano. Sua foto é um exemplo de como a aura de pecado se abate sobre quem não segue o mandamento de Capa.

Navalha

A administração da distância é o fio da navalha sobre o qual se move o fotógrafo: se fica muito longe, não consegue uma cobertura "quente"; se chega muito perto, corre perigo de morte. Ao mesmo tempo, a proximidade expõe ao risco de produzir um retrato parcial do conflito.

O senso comum fixou a ideia de que o risco é inerente à fotografia de guerra, uma vez que ela só poderia se realizar a pequena distância do fato, o que muitas vezes implica risco de morte ou parcialidade. A tensão entre proximidade, risco e adesismo se cristalizou no cinema em filmes que têm fotógrafos como personagens, como "Sob Fogo Cerrado" (1983), de Roger Spottiswoode, "Salvador, O Martírio de um Povo" (1986), de Oliver Stone, e "Antes da Chuva" (Milcho Manchevski, 1994).

Mas uma análise dos equipamentos e da técnica fotográfica revela que a necessidade de proximidade em relação à fonte do risco de morte é falsa. O exemplo mais conhecido é a cobertura de eventos esportivos. A fotografia esportiva mostra que hoje já é possível retratar as cenas com precisão sem chegar tão perto.

Evolução

Depois de anos de uma evolução estética que resultou em fotos absolutamente fechadas (em vez de um gol, o fotojornalismo dos anos 80-90 tentava mostrar detalhes como a expressão facial do autor do gol ao chutar), a foto esportiva vem recuperando os planos abertos, que permitem ver as jogadas e seus contextos.

Paralelamente, a evolução dos equipamentos, com a fotografia digital superando a resolução dos filmes químicos, torna possível, por exemplo, captar a imagem de um campo de futebol inteiro e recortar da imagem a cena específica que interessa publicar.

Essa possibilidade técnica, no entanto, tem sido refutada sob o argumento de que pode significar falseamento. É uma decisão coerente com o mandamento de Capa, mas que não se justifica à luz da técnica em si, e possivelmente nem da ética, caso se compare o ganho, com a redução de mortos e feridos, com os riscos de eventual adulteração da imagem (até porque os registros que a câmera eletrônica produz sobre seus fotogramas são detalhados como um RG e podem ser usados para conhecer as alterações feitas no original).

Da mesma forma que nos estádios olímpicos, os recursos técnicos já poderiam dar aos repórteres fotográficos a chance de documentar cenas de conflito sem necessariamente se aproximar tanto de seu objeto.

Então, por que morrem tantos fotógrafos de guerra? Morrem por uma ideologia.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Festa em comemoração ao Dia Nacional da Fotografia foi um sucesso em Natal

Por Alex Gurgel

A abertura da exposição de macro-fotografia intitulada “O Mundo Pequeno de Pedro Morgan” foi aberta, nessa sexta-feira (20 de janeiro), em comemoração ao Dia Nacional da Fotografia e ao Dia do Fotógrafo, em Nalva Melo Café Salão, um ambiente cultural localizado no bairro histórico da Ribeira.

A curadoria da exposição e produção do evento foi assinada pelas aphotistas Carla Belker e Paula Fernandes. O show dos músicos Carlinhos Bem e Nagério deu um brilho especial ao evento, onde 20 fotografias mostram pequenos detalhes de insetos e plantas, um mundo botânico somente visto pelas objetivas especiais de Pedro Morgan, em sua primeira exposição.

Na ocasião, a Aphoto começou uma campanha de filiação, em busca da conquista de novos sócios. Dentre os novos aphotistas que fizeram suas filiações, destaque para o professor de fotojornalismo da UFRN, Itamar Nobre, e para Henrique José, professor de fotografia do Senac e coordenador da ONG Zoom Fotografia, uma das entidades pioneira a socializar a fotografia em Natal e no Estado.

A Exposição Fotográfica “O Mundo Pequeno de Pedro Morgan” ficará em cartaz até o carnaval, com entrada franca, em Nalva Melo Café Salão, na Ribeira.

Para se tornar um sócio da Aphoto, visite o nosso site: www.aphoto.art.br

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Fotógrafos poderão importar câmeras profissionais livres de impostos


A Câmara analisa o Projeto de Lei 2114/11, do deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), que isenta a cobrança de impostos e contribuições na importação de equipamentos e materiais para uso exclusivo de fotógrafos e cinegrafistas.

A isenção vale para Imposto de Importação (II); Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI); Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços (PIS/PASEP- importação); e Contribuição para os Programas de Integração Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior (Cofins - importação). Pela proposta, a isenção só será concedida aos artigos sem similares nacionais.

“Cada profissional utiliza pelo menos dois equipamentos idênticos na cobertura de determinado evento, o que torna ainda mais dispendiosa a atividade dos profissionais fotográficos e cinematográficos”, afirma Maia. Na opinião dele, as profissões de fotógrafo e cinegrafista são tratadas de forma marginal no Brasil.
O deputado argumenta ainda que uma norma da Receita Federal já garante a isenção desses impostos para viajantes que trouxerem para o Brasil equipamentos e materiais fotográficos e cinematográficos não profissionais.

Comprovação

Para conseguir o benefício de importação, os fotógrafos e cinegrafistas terão de comprovar o exercício da profissão em sua carteira de trabalho ou certidão, no caso de servidores públicos. Além disso, eles deverão apresentar certidões de débitos da dívida ativa, de tributos federais e aduaneiros emitidas pela Receita Federal, garantindo que os materiais são exclusivos para exercício da profissão.

A isenção deverá durar, conforme o projeto, por cinco anos a partir da implementação da nova lei. O texto remete ao Executivo a obrigação de estimar a renúncia fiscal gerada pelo benefício, de acordo com o estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF - Lei Complementar 101/00).

Tramitação

A proposta, que tramita em caráter conclusivo, será analisada pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Duelo de gigantes

Cartier-Bresson.(Foto:Autor Desconhecido/Todos os Direitos Reservados)

“Henri Cartier-Bresson torna-se fotógrafo no dia de 1932 em que compra uma Leica em Marselha. Surgida há pouco no mercado, a câmera permitia agilidade na tomada de plano — é seu batismo de fogo. O artista encontrou seu instrumento. Impossível não lembrar as palavras de Paul Morand: ‘Aos doze anos me deram uma bicicleta. Depois, nunca mais me encontraram…’

A Leica será seu objeto mitológico. Dela nunca mais se separará, seja no exterior, seja na intimidade. Na rua, em casa, na casa das pessoas, em todos os lugares, o tempo todo, nunca se sabe. Não é um hábito de artista, mas de caçador de recompensas. Sempre pronto para atirar, à espreita, de sobreaviso. Mas isso não impede o sentimento. Raras vezesse viu identiciação tão completa entre um homem e uma máquina, uma osmose tão feliz entre uma alma e um mecanismo. Como um casal de amantes, poderíamos dizer que ele era a contraparte dela, e ela a contraparte dele. Eles parecem feitos um para o outro. Ao prolongar seu olhar da maneira mais natural possível, a máquina faz parte dele. Depois disso ele nunca mais abandonou sua Leica.
Robert Doisnea.(Foto:Autor Desconhecido/Todos os Diretos Reservados)


O 6×6 é um estado de espírito, o 24×36 outro. Robert Doisneau vê na Rolleiflex a apoteose da cortesia, do respeito, da humildade. Inclinados diante das pessoas, não as provocamos olhando-as de frente, nos olhos. Henri Cartier-Bresson vê na Leica a arte da caça, feita com outros instrumentos.  É uma atitude agressiva, pois é uma pontaria. A primeira vez que esses dois homens se encontram, quando Doisneau, admirador incondicional de Cartier-Bresson, ousa mostrar-lhes suas primeiras reportagens, ele ouve:

‘— Se o bom Deus quisesse que se fotografasse em 6×6, ele teria colocado nossos olhos na barriga. É incômodo olhar as pessoas pelo umbigo. E depois que você se curva, só falta emendar no pai nosso…’”

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Fotógrafos Pablo Pinheiro e Alex Fernandes levam a exposição fotográfica a Acari-RN

                              Será uma oportunidade das pessoas fotografadas se verem e reconhecerem sua cultura nas imagens, que retratam o dia-a-dia dos tradicionais vaqueiros do Seridó. Em sua estreia, no mês de agosto em Natal, a exposição recebeu um grande número de visitantes e comentários positivos.
                             Os fotógrafos Alex Fernandes e Pablo Pinheiro mergulharam durante cerca de um ano, entre idas e vindas, pesquisas, vivências, ensaios; convivendo e captando o dia-a-dia dos vaqueiros.    
                             A região do Seridó foi escolhida em função de sua natureza com uma flora e fauna típicas, com singularidades construídas nesse cenário onde o vaqueiro torna-se majestoso sem nenhuma imposição, simplesmente porque o é. Agregado a estes valores encontra-se a forte presença icônica de toda a tradição vaqueira, que vai desde a vestimenta, os instrumentos, o modo de olhar, de se mover, a cantiga (aboio), o cavalo, o gado, as heranças culturais e de trabalho, como a apartação, os derrubadores, arrebanho e outros.
                             Para os dois fotógrafos, a importância do ensaio está não só no registro fotográfico, mas na paixão pelo assunto, que apesar de envolver um tesouro nacional, de riqueza inestimável, não parece ter o crédito e o espaço que por certo mereceria na mídia ou mesmo na vida acadêmica.
                            Serviço:
                            Exposição Fotográfica "Fragmentos de uma tradição"
                            De 1º a 10 de outubro
                             Local: Museu Histórico de Acari (Rua Antônio Basílio, 11, Centro)
                             Visitação: 7h30 às 11h30 e 13h30 às 17h30 (segunda a sexta); 8h às      11h   (sábado)
                             Informações: (84)3433-3988