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sábado, 11 de janeiro de 2014

Henri Cartier-Bresson e o instante preciso e transitório

Henri Cartier-Bresson em seu apartamento. Paris, 1987. (Foto: John Loengard)

Images&Visions

“De todos os meios de expressão, a fotografia é o único que fixa para sempre o instante preciso e transitório. Nós, fotógrafos, lidamos com coisas que estão continuamente desaparecendo e, uma vez desaparecidas, não há mecanismo no mundo capaz de fazê-las voltar outra vez. Não podemos revelar ou copiar uma memória”.
Henri Cartier-Bresson

sábado, 29 de junho de 2013

Henri Cartier-Bresson e a pintura

Henri Cartier-Bresson pintando no Oppedette Canyon. França, 1976.(Foto: Martine Franck/Magnum)
Esta fotografia pouco conhecida mostra Henri Cartier-Bresson pintando um quadro no Oppedette Canyon, na França. “A fotografia não é como a pintura. Naquela fração de segundo seu olho deve captar uma composição ou uma expressão e você deve seguir sua intuição e tirar a foto. É nesse momento que o fotógrafo é criativo. Êpa! O instante! Se você o perde, é para sempre”, afirmou Cartier-Bresson ao jornal Washington Post em 1957.

Fonte: Fernando Rabelo/Images & Visions

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Henri Cartier Bresson, o homem invisível e toda a visibilidade de sua obra



Nascido na Paris de 1908, Henri viveu uma época onde os pais ditavam o futuro dos filhos mas tendo ele já nascido um artista livre seguiu seu próprio rumo. Em uma viagem à África Henri deixou a pintura e se enveredou de vez pela fotografia se tornando o grande mestre da arte fotográfica dos anos 20 inspirado pela fotografia de do húngaro Martin Munkacsi, publicada na revista Photographies (1931), mostrando três rapazes negros a correr em direção ao mar, no Congo.

Viajou o mundo com sua Laica em punho e fez o mundo viajar com suas fotografias focadas em temas do fotojornalismo. Como não poderia deixar de ser, fez grandes registros históricos, foi prisioneiro dos Alemães por três anos durante a Segunda Grande Guerra e por pouco não fazem uma exposição póstuma de suas obras por acharem que estava morto. Foi também o primeiro fotógrafo da Europa Ocidental a registrar a vida na União Soviética de maneira livre.

Junto com o amigo Robert Capa, David ''Chim'' Seymour e George Rodger, fundou a Agência Magnum em 1947 e já em 1948 partiu para o mundo novamente, circulando por Índia, Burma, Paquistão, China e Indonésia até 1950. Suas lentes registraram o fim do domínio britânico na Índia, o assassinato de Mohandas Gandhi e os primeiros meses de Mao Tse Tung tudo devidamente registrado no livro IMAGES À LA SAUVETTE lhe rendendo uma reputação sem precedentes. "No meu modo de ver, a fotografia nada mudou desde a sua origem, exceto nos seus aspectos técnicos, os quais não são minha preocupação principal. A fotografia é uma operação instantânea que exprime o mundo em têrmos visuais, tanto sensoriais como intelectuais, sendo também uma procura e uma interrogação constantes. E' ao mesmo tempo o reconhecimento de um fato numa fração de segundo, e o arranjo rigoroso de formas percebidas visualmente, que conferem a esse fato expressão e significado".

Perfeccionista, tentou por duas vezes destruir suas próprias fotos, o que felizmente, não conseguiu. Deixou a Magnum em 1966 e passou a não mais fotografar de forma profissional. Avesso a fama e badalações não se deixava fotografar por não querer que fizessem com ele o que ele fez com os outros a vida inteira. Para muitos Cartier-Bresson é puro lirismo e poesia, suas imagens desconhecem limites e sua genialidade se dá justamente por ele estar sempre invisível e deixar suas fotos sob os holofotes.

Henri Cartie-Bresson, faleceu em 02 de agosto de 2004, mas a sua obra é eterna e continua influenciando muitos artistas, fotógrafos e admiradores. Como poucos sabem fazer parar no tempo situações que duraram frações de segundos. Para preservar o seu legado e manter vivo o seu espírito livre, Henri Cartier-Bresson, Martine Franck e sua filha Mélanie decidiram montar uma fundação que teve início na primavera de 2003, um ano antes de o mestre partir.




A fundação é reconhecida pelo governo Francês como de obra de grande interesse público e está sediada em uma belíssima casa em Montparnasse. Fica a dica para os amantes do trabalho de Henri Cartier-Bresson, para quem a câmera é um instrumento de intuição e espontaneidade.












terça-feira, 18 de setembro de 2012

O descontraído Henri Cartier-Bresson

Henri Cartier-Bresson em 1971. (Foto :Martine Franck)

Esta bela foto que mostra Henri Cartier-Bresson (1908-2004) num momento de descontração foi feita em 1971, pela sua mulher Martine Franck, que também era fotógrafa. Em seu site, a Magnum não especifica o local desta imagem. Martine começou a sua carreira em 1965, e nos anos 80 tornou-se uma das poucas mulheres associadas à Agência Magnum. Martine foi presidente da Fundação Henri Cartier-Bresson, fundada em 2002, em Paris. Faleceu no mês passado, aos 74 anos.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Biografia de Henri Cartier Bresson é a nova obra da Coleção L&PM Pocket


Albert Camus, equilibrando um cigarro em meio a um sorriso cúmplice; Jean-Paul Sartre, na Pont des Arts, com seu olhar inconfundível; os funerais de Churchill e Gandhi; os retratos de Coco Chanel, William Faulkner e Samuel Beckett; a Guerra Civil Espanhola; a libertação de Paris; a Alemanha em ruínas. Ao lembrar das imagens que marcaram o século XX, evoca-se aquele que foi o responsável pelo olhar de um dos períodos mais turbulentos da história: Henri Cartier-Bresson (1908-2004). HCB, como é conhecido no meio, ensinou o mundo a ver e, juntamente com Robert Capa, contribuiu para alçar a posição do fotógrafo a outro patamar, não como mero ilustrador, mas como autor, que transmite sua visão e assina as próprias imagens. Foi também ao lado de Capa e de outros três fotógrafos visionários que fundou,em 1947, a agência de fotojornalismo mais prestigiosa do mundo, a Magnum. Pela primeira vez na história, os fotógrafos tornavam-se proprietários de seus negativos – uma utopia para a época.

O jornalista Pierre Assouline, biógrafo de personalidades como o escritor belga Georges Simenon e do editor francês Gaston Gallimard, traça aqui o perfil do grande artista, construído após cinco anos de constantes conversas, durante os quais fundiu-se no papel de entrevistador e amigo. Ao revelar a parceria entre Cartier-Bresson e sua inseparável Leica, mostra que o olhar do fotógrafo não tinha limites e que as imagens por ele captadas refletem o caráter universal da natureza humana.

Informações Gerais

Título:CARTIER-BRESSON: O OLHAR DO SÉCULO
Título Original:HENRI CARTIER-BRESSON – L'OEIL DU SIÈCLE
Catálogo:Coleção L&PM Pocket
Gênero:Biografias
Referência:1002
Cód.Barras:9788525425324
ISBN-13:978.85.254.2532-4
Páginas:400
Preço: R$22,00 pelo site da L&PM Pocket


Pierre Assouline

Pierre Assouline nasceu em Casablanca em 1953. Jornalista e escritor, é chefe de redação da revista Liere e produtor da rede France Culture. Publicou numerosas biografias que marcaram época na França, entre as quais a do escritor Georges Simenon, a do editor Gaston Gallimard, a do jornalista Albert Londres e a de Hergé, criador do famoso personagem Tintin. Publicou também dois romances, ambos editados pela Gallimard: Le cliente (1998) e Vida dupla

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Fotógrafo, profissão Ladrão

Foto:Henri Cartier-Bresson.Paris.1932

“Seja como for que encaremos, a fotografia é um roubo. É preciso agir sem pensar, pois o imprevisto não volta a acontecer. Ao sensibilizar suas primeiras películas, Cartier-Bresson toma consciência da violência de seu ato quando usa o homem como tema, e não apenas a natureza ou o mundo inanimado dos objetos. Como ele próprio é percebido ao apontar sua Leica a um transeunte? Apesar de sua discrição, rapidez e elegância naturais, como um olho de ciclope agressivo, que imediatamente despoja de tudo o que temos de mais íntimo. Passeando pela Avenue du Maine, ele vê através do vidro de um restaurante deserto um velho e pensativo burguês, de casaco, chapéu-coco e guarda chuva, ainda sentado, entregue aos próprios pensamentos, com o olhar perdido no vazio. Ao registrar esse desconcertante momento de verdade, ele se apodera autoritariamente de sua melancolia, de sua nostalgia, de seus sonhos — essa parte de sombra que gostaríamos alienável. Com que direito?” 

Pierre Assouline,em seu livro:Cartier-Bresson,o olhar do século

“Fotografar pessoas é violá-las, ao vê-las como elas nunca se vêem, ao ter delas um conhecimento que elas nunca podem ter; transforma as pessoas em objetos que podem ser simbolicamente possuídos.”

Susan Sontag,em seu livro:Sobre Fotografia

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

O prisioneiro Henri Cartier-Bresson

(Foto:Autor Desconhecido/Todos os Direitos Reservados)

Este registro histórico feito em 1943 mostra o fotógrafo Henri Cartier-Bresson como prisioneiro na Segunda Guerra Mundial. Bresson esteve preso durante três anos num campo de concentração na alemanha, onde conseguiu fugir em 1943, depois da terceira tentativa. De volta a Paris participou da Resistência Francesa.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

O período em que o MoMA presumiu que Henri Cartier-Bresson estava morto

México em 1934.(Foto:Henri Cartier-Bresson)

No período em que os alemães ocuparam Paris, o Museu de Arte Moderna de Nova York presumiu que Henri Cartier-Bresson estava morto, decidindo fazer uma retrospectiva póstuma à sua obra. Para grande surpresa de todos, Cartier-Bresson conseguiu fugir em 1943 do campo de prisioneiros alemão, onde esteve durante três anos. 

Ao ser informado que o MoMA lhe preparava uma homenagem, Bresson decidiu participar ativamente da exposição. Quando chegou a Nova York comprou um álbum de fotografias tipo “Scrapbook”, selecionou e organizou colando 346 fotografias de forma cronológica, que foram a base da escolha do MOMA para a exposição exibida em 1947. A fotografia acima feita com prostitutas no México foi uma das escolhidas por ele para compor a mostra retrospectiva.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Duelo de gigantes

Cartier-Bresson.(Foto:Autor Desconhecido/Todos os Direitos Reservados)

“Henri Cartier-Bresson torna-se fotógrafo no dia de 1932 em que compra uma Leica em Marselha. Surgida há pouco no mercado, a câmera permitia agilidade na tomada de plano — é seu batismo de fogo. O artista encontrou seu instrumento. Impossível não lembrar as palavras de Paul Morand: ‘Aos doze anos me deram uma bicicleta. Depois, nunca mais me encontraram…’

A Leica será seu objeto mitológico. Dela nunca mais se separará, seja no exterior, seja na intimidade. Na rua, em casa, na casa das pessoas, em todos os lugares, o tempo todo, nunca se sabe. Não é um hábito de artista, mas de caçador de recompensas. Sempre pronto para atirar, à espreita, de sobreaviso. Mas isso não impede o sentimento. Raras vezesse viu identiciação tão completa entre um homem e uma máquina, uma osmose tão feliz entre uma alma e um mecanismo. Como um casal de amantes, poderíamos dizer que ele era a contraparte dela, e ela a contraparte dele. Eles parecem feitos um para o outro. Ao prolongar seu olhar da maneira mais natural possível, a máquina faz parte dele. Depois disso ele nunca mais abandonou sua Leica.
Robert Doisnea.(Foto:Autor Desconhecido/Todos os Diretos Reservados)


O 6×6 é um estado de espírito, o 24×36 outro. Robert Doisneau vê na Rolleiflex a apoteose da cortesia, do respeito, da humildade. Inclinados diante das pessoas, não as provocamos olhando-as de frente, nos olhos. Henri Cartier-Bresson vê na Leica a arte da caça, feita com outros instrumentos.  É uma atitude agressiva, pois é uma pontaria. A primeira vez que esses dois homens se encontram, quando Doisneau, admirador incondicional de Cartier-Bresson, ousa mostrar-lhes suas primeiras reportagens, ele ouve:

‘— Se o bom Deus quisesse que se fotografasse em 6×6, ele teria colocado nossos olhos na barriga. É incômodo olhar as pessoas pelo umbigo. E depois que você se curva, só falta emendar no pai nosso…’”