terça-feira, 12 de maio de 2015

DF é condenado a pagar R$ 5 mil a fotógrafo agredido por policiais durante manifestação

Crédito: Agência Brasil

A 2ª Turma Recursal dos Juizados Especiais do Distrito Federal manteve sentença que condenou o governo do Distrito Federal a pagar R$ 5 mil de indenização ao repórter fotográfico André Augustus Cardoso, agredido por policiais durante cobertura de uma manifestação na capital.

De acordo com o Diário da Manhã, o fotógrafo relatou que quando fazia a cobertura do ato no feriado da Independência, entre o Estádio Nacional e a Esplanada dos Ministérios, foi hostilizado por policiais do Batalhão de Policiamento com cães e por policiais do Batalhão de Choque.

Embora tenha se identificado, o repórter fotógrafo continuou sendo vítima de hostilidades e foi agredido junto com outros colegas por cassetetes, balas de borracha, gás de pimenta e gás lacrimogênio.

“Verificado excesso policial dirigido à equipe de imprensa, resultando em ofensa à integridade física do jornalista, emerge o dever de indenizar, posto que configurados o evento danoso e o nexo de causalidade exigíveis pela teoria da responsabilidade objetiva”, diz um trecho da sentença.

O Distrito Federal argumentou que alguns dos profissionais de imprensa não estavam adequadamente identificados para realizar a cobertura. Disse ainda que os jornalistas usavam lenços e máscaras nos rostos, dificultando o trabalho da polícia.

Para o Segundo Juizado da Fazenda Pública, é possível notar pelas imagens e depoimentos nos autos que o jornalista usava crachá e estava a pouca distância dos policiais, o que indica a possibilidade de identificação dele. Após recurso do DF, a Turma manteve a sentença.

"O DF não logrou êxito em demonstrar que agiu dentro dos limites legais. Mesmo porque não há comprovação de que havia uma ordem específica para a imprensa situar-se em local estratégico e, consequentemente, evitar os transtornos causados. As investidas de cães e as lesões do autor decorrentes de balas de borracha são suficientes a configurar violação a direitos de personalidade do requerente, pois é fato que, por si só, causa humilhação e angústia superiores ao rotineiramente enfrentados pelo cidadão comum”, completou.

Fonte: Portal Imprensa

segunda-feira, 11 de maio de 2015

“Esta é, possivelmente, a minha imagem mais difundida, mas infelizmente no contexto errado”, afirma fotógrafo vietnamita

Foto de Na Son Nguyen. Crianças se abraçam num vilarejo na província de Ha Gang. Vietnã, 2007.


Por Images & Visions

Esta comovente imagem, que se tornou viral no Facebook e no Twitter em todo o mundo, que mostra duas crianças se abraçando, foi divulgada pelo site “HistoricalPics” como se tivesse sido feita no Nepal  após a devastação causada pelo recente terremoto.

Na verdade, essa foto foi feita em outubro de 2007 em Can Ty, uma aldeia na província de Ha Gang no Vietnã, pelo fotógrafo vietnamita Na Son Nguyen. “Eu fiz esta imagem em outubro de 2007. A menina tinha cerca de dois anos. Ela estava chorando por causa da presença de estranhos na área, de modo que o menino, de cerca de três anos, abraçou-a confortavelmente”, disse Na Son Nguyen.

O fotógrafo havia publicado essa foto em seu blog pessoal há alguns anos, e ficou surpreso ao ver a imagem compartilhada como se fosse uma foto de órfãos abandonados no Nepal.  “Antes disso, essa fotografia já havia sido compartilhada em redes sociais como se fossem órfãos birmaneses e até como vítimas da guerra civil na Síria. Esta é, possivelmente, a minha imagem mais difundida, mas infelizmente no contexto errado”, conclui o fotógrafo vietnamita.

Documentário "Sal da Terra" mostra uma linda carreira artística independente

Cena do documentário "O sal da Terra"/ Da esquerda para direita: Win Wenders e Sebastião Salgado


Por Alê Barreto

Gosto muito de pensar sobre as infinitas possibilidades que uma carreira artística e criativa proporciona para quem tem coragem de trilhá-la e cria condições para trilhá-la. Escolher como modo de produção de sua vida profissões para as quais nem sempre há um mercado de trabalho organizado na região do planeta onde você escolheu viver ou que muitas vezes está sujeita à tensões provocadas por oligopólios, não é uma tarefa simples. Ter coragem de experimentar uma carreira artística e criativa, só pelo experimento em si, não importa o tempo que seja, irá proporcionar a você a noção de que você é capaz de realizar algo. E esta realização independente lhe proporcionará a você a sensação de liberdade. Agora, imagine se você estender a experiência de alguns dias fotografando para um tempo tão longo que se confunda com o tempo de sua própria vida. Como seria esta sensação?

Não há uma única resposta para isso. E também não há resposta certa e errada. O que existem são respostas. Respostas mais ou menos intensas.

Uma resposta intensa para esta pergunta é o documentário "O Sal da Terra" de Win Wenders e Juliano Ribeiro Salgado, sobre a carreira do fotógrafo Sebastião Salgado. Assisti no último sábado, aqui no Rio de Janeiro, na Casa de Cultura Laura Alvim e recomendo. O filme respondeu algumas questões que sempre busco entender no trabalho de um profissional criativo: como foi sua origem, quando começou a realizar seu trabalho, que questões busca mostrar em seu trabalho, como este trabalho se situa nos diferentes planos de sua vida.

Win Wenders e Juliano Ribeiro Salgado foram muito felizes na realização deste filme. Conseguiram mostrar a obra artística, os ciclos de trabalho, as questões existências e o pensamento de Sebastião Salgado. A narrativa fisga a sua atenção desde os primeiros minutos até o fim. E no fim, você lamenta que acabou. Fica desejando entrar em uma livraria, em um café, e encontrar toda a equipe do filme, para conversar e saber mais.

Sebastião Salgado e Lélia Wanick Salgado/Foto: Ricardo Beliel


Curioso, após o filme, busquei algumas informações recentes na web sobre o documentário e encontrei uma fala muito interessante do Sebastião Salgado sobre Lélia Wanick Salgado, sua esposa:


"É a minha companheira. Na vida, no trabalho, em tudo. Sem ela não teria feito um terço do que fiz".


Muitos podem achar que esta frase é bonita pelo fato de um marido estar reconhecendo o quanto sua esposa contribuiu para a evolução de sua carreira. Eu vou mais longe. É o reconhecimento de um artista experiente sobre o quanto é fundamental o trabalho de produção em uma carreira artística e criativa.

Torço para que alguém também se estimule a fazer um livro ou documentário sobre a história da Lélia Wanick Salgado. Com certeza aprenderemos muito.

Itamaraty confirma deportação de fotógrafo brasileiro detido na Turquia

Gabriel Chaim (esq.), Elizabeth Chappell e Robin Hinsch seguem detidos na Turquia (Imagem: Reprodução do Facebook)

O Itamaraty confirmou nesta segunda-feira (11/5) que o fotógrafo Gabriel Chaim, detido na Turquia ao tentar fazer a cobertura da guerra da Síria, será deportado para o Brasil. De acordo com as autoridades turcas, a deportação ainda não tem data para acontecer, mas será o mais breve possível.

De acordo com o G1, Chaim está preso em um prédio da direção geral de segurança, em Ancara. Após a visita de um funcionário da embaixada brasileira na Turquia, constatou-se que ele está bem de saúde. 

O fotógrafo, juntamente com outros dois colegas de profissão, foi detido na cidade de Sanliurfa quando cruzava ilegalmente a fronteira entre Turquia e Síria.

Chaim diz que soldados turcos apontaram as armas para eles e deram três tiros para o alto. “Deitamos no chão, no meio do mato. Então eles nos levaram para locais diferentes e começaram uma sessão de interrogatórios”.

O fotógrafo revela que a única forma de ultrapassar a fronteira da Síria é de forma ilegal. “Kobane está cercada pelo Estado Islâmico e pela Turquia, sendo que a Turquia só abre as portas para feridos muitos graves ou caminhões com produtos humanitários”, alegou.

Gabriel Chaim é especialista em coberturas de guerras e essa já a quarta vez que ele viaja para a Síria para cobrir a guerra civil do país. Ele já teve trabalhos publicados na CNN, no jornal The Guardian e na TV Globo.

Fonte: Portal Imprensa

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Primeira fotojornalista a cobrir a Faixa de Gaza relata os desafios da profissão

Por Portal Imprensa

Foto: Dennis Rivera


Contar em detalhes uma história escondida. Foi esse desejo que levou Eman Mohammed, 27, a começar sua carreira como fotojornalista, aos 19 anos. Ela é a primeira mulher a cobrir a guerra na Faixa de Gaza.

Refugiada Palestina, Eman nasceu na Arábia Saudita e cresceu em Gaza, onde iniciou seu contato com a fotografia. Com trabalhos publicados no Guardian, Le Monde, Washington Post, Haartez, e outros veículos internacionais, ela se dedica a documentar de perto o conflito Israel/Palestina.

À IMPRENSA, a fotojornalista falou sobre os desafios que as mulheres enfrentam no Oriente Médio, as dificuldades em cobrir zonas de conflito e como avalia a cobertura da mídia internacional na região.

IMPRENSA: Quando você decidiu se dedicar ao fotojornalismo?
Eman Mohammed: Eu comecei a me interessar pela carreira de fotojornalista aos 19, durante meu segundo ano na universidade, quando passei a trabalhar para agências de notícias locais e explorar os campos de mídia.

Como é ser a primeira mulher fotojornalista a cobrir a Faixa de Gaza?
O sentimento é amargo e doce ao mesmo tempo. Num primeiro momento não fazia qualquer sentido o porquê eu tinha de ser a primeira. E não ver fotojornalistas profissionais do sexo feminino em Gaza, diz muito sobre esta questão.

Foi um percurso muito instável, cheio de obstáculos e desafios pela predominância masculina no campo do fotojornalismo. Mas a aceitação e apoio de moradores me fizeram sentir muito melhor e mais confortável. Equilibrar-se em uma comunidade fechada e conservadora seguindo numa carreira controversa às tradições foi e ainda é muito complicado.

Seu trabalho como fotógrafa era considerado um insulto às tradições locais. Como lidou com o preconceito e o que significa para você passar por isso?
As pessoas normalmente temem o que elas não conhecem e, como uma reação muito esperada, a comunidade não foi apresentada a uma fotojornalista mulher até então. Uma vez que foi explicado e mostrei o meu modo de trabalho, sem ter violado nenhum valor cultural, tornou-se mais aceitável para as pessoas comuns. Eu lutava mais com os meus colegas do sexo masculino, que recusavam o fato de ter uma fotojornalista entre eles e ainda o fazem, de maneira mais sutil do que quando comecei a minha carreira. Ao longo do tempo, esse desafio aquece o meu coração e me mantém alerta no mesmo tempo.

Qual é o espaço para as mulheres cobrirem zonas de conflito atualmente?
Eu acho que o número de fotojornalistas no mundo aumentou rapidamente e isso é um grande começo para uma maior igualdade, especificamente nas áreas de conflito, onde as mulheres provaram que elas são capazes de fazer um trabalho realmente impressionante por conta própria. Os limites não são um problema como antes. Ainda temos um longo caminho pela frente para chegar ao ponto de não precisar "provar" que as mulheres são qualificadas nessas zonas tanto quanto os homens.

Quais são os maiores desafios de ser fotojornalista na Faixa de Gaza?
Cobrir notícias de natureza violenta, e estar ao mesmo tempo em uma situação para quebrar tabus. É como uma guerra fora e dentro da minha casa, a pressão dobra e torna-se uma missão impossível, às vezes.

Como você avalia a cobertura da imprensa internacional sobre a guerra em Gaza?
Mudou dramaticamente desde a primeira guerra em Gaza, o que com certeza ajudou o mundo a ter mais conhecimento sobre o que está acontecendo na Palestina com as suas próprias fontes. O que é mais assustador é que não teve um grande impacto sobre a ação do mundo. Agora a mídia está mais carregada com todo o tipo de fotografias e vídeos que saem de Gaza e, assim como na Síria, o mundo está perto e apenas assiste.

Há alguma história que te surpreendeu ao longo da sua carreira?
Eu diria que a primeira guerra sempre ficará na memória, marcada no meu coração. O dia em que tudo começou e eu testemunhei o meu mundo inteiro em colapso, o que se seguiu ajudou a moldar a minha carreira e personalidade ao mesmo tempo.

Raio-X do conflito  

Localizada na Palestina, entre Israel e o Egito, a Faixa de Gaza era o ponto de passagem para antigas civilizações e um entreposto estratégico no Mediterrâneo. Foi dominada pelo Império Otomano até a Primeira Guerra Mundial. Tanto os israelenses quanto os palestinos acreditam que Gaza pertence a eles, o que faz com que os conflitos nunca cessem.

Os israelenses acreditam que a região é dominada por invasores que fugiram de outras terras. Por sua vez, os palestinos nunca tiveram, de fato, um território. Por se concentrarem em Gaza quando eram refugiados, eles acreditam que a região já os pertence.
O confronto religioso é outro aliado. A Faixa de Gaza integra o território conhecido como Terra Prometida. Ambos os povos acreditam que o local é sagrado e não deve ser habitado por pessoas que não possuem a mesma crença.

Em julho de 2014, Israel lançou uma grande operação militar na Faixa de Gaza chamada "Borda de Proteção", com o objetivo de interromper o lançamento de foguetes palestinos contra Israel e de destruir a infraestrutura militar do Hamas e de outros grupos armados.

A ação marcou o fim do cessar-fogo que estava em vigor desde novembro de 2012, mas que era desobedecido desde dezembro do ano passado. O novo conflito deixou quase 2.200 palestinos mortos, em sua maioria civis.