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segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Fotógrafo Joel Silva vira motorista de táxi noturno e conta histórias em blog


Ouvir e contar histórias cotidianas. Esse foi o objetivo do fotojornalista Joel Silva quando decidiu se aventurar como motorista de um táxi noturno em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, e narrar fragmentos da vida de seus passageiros em um blog.

Formado em fotografia pela escola de artes Bauhaus, Silva começou a trabalhar como fotojornalista na Folha de S.Paulo em 1994. Ele já cobriu a Primavera Árabe, na Líbia e no Egito, onde foi atingido por um tiro, o golpe militar em Honduras, atuou como correspondente no Oriente Médio e ganhou cinco prêmios de Direitos Humanos.

A ideia de dirigir um táxi noturno para “caçar” histórias surgiu do relato de seus irmãos, que saíram da Folha e passaram a dirigir um táxi. "Percebi que há um nicho muito bom, histórias que as pessoas precisam saber", explica Joel, que dirige pelas ruas de Ribeirão há duas semanas.

Quando não está na capital paulista para alguma pauta do jornal, o fotojornalista cumpre o expediente das 18h30 até às 6h30, e faz, em média, doze viagens por noite. No táxi, Joel usa um microfone para gravar a conversa e, se a história for interessante, publica no blog.

"As pessoas dizem 'se eu contar minha história dá um livro'. Elas deixam no táxi fragmentos da sua vida. Às vezes, nem percebem que o taxista tem ouvidos. Nós, como jornalistas, temos de estar com o olho atento ao cotidiano da vida humana", diz.

Para Silva, o jornalismo não está em crise, mas em constante transformação. "Acho que as notícias não precisam ser apenas de conflitos, protestos, corrupção no governo. As pessoas se interessam por outras coisas. Cabe a nós entender essa nova dinâmica da profissão para poder aproveitar essas histórias", afirma.

Histórias e mais histórias

Entre as histórias mais marcantes para Silva está a de dona Clarinha, cujo marido, que morreu há dez anos, era apaixonado por fotografia. "Ele era  funcionário público, mas seu hobby era tirar fotografias, mas não fotografias de coisas, lugares.  Ele gostava mesmo era de tirar fotografias minhas. Nunca vi um homem gostar tanto de tirar fotos de sua esposa, você já viu?”, diz ela, em um dos diálogos narrado pelo fotógrafo.

Outro passageiro que surpreendeu Silva foi Guilherme, um deficiente visual considerado o passageiro mais chato de Ribeirão pelos colegas taxistas. Ao ser informado sobre suas habilidades para saber, exatamente, o valor de cada destino, o fotojornalista o desafiou para adivinhar o preço de uma corrida. Se informasse o valor correto, não pagaria. Mais uma vez, ele acertou, mas insistiu em pagar pelo serviço.

Ao pegar a mão de Silva para lhe entregar o dinheiro, o surpreendeu novamente: “Meu amigo, você precisa aprender a enxergar seu valor". "Deu as costas e saiu tateando com seu bastão, para dentro do shopping. A visão dos olhos muitas vezes nos deixa cegos da alma", escreve o fotojornalista.

"A gente precisa aprender a fechar os olhos e sentir as pessoas. Os taxistas achavam ele chato, mas ele não era chato. Só precisava ser entendido, porque enxerga o mundo de uma outra forma. A gente ficou amigo e ele virou meu cliente agora", conta.

Joel pretende seguir com o projeto por, no mínimo, um ano, tempo de sua licença de taxista. Ele também planeja fotografar os personagens e investir no blog, que já alcançou uma média de 15 mil visualizações diárias.

"O fundamental desse trabalho é captar esses fragmentos da vida humana.  As pessoas têm um livro para contar e elas deixam uma página dentro do táxi.  Aproveito essa página e coloco no blog", acrescenta.

Fonte: Portal Imprensa

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Fotojornalista da "Folha" leva tiro de raspão em conflito no Cairo

O repórter-fotográfico da Folha de S.Paulo, Joel Silva, foi atingido de raspão na cabeça por um disparo enquanto fazia imagens dos protestos ao redor da cidade do Cairo, no Egito, nesta sexta-feira (16/8).

O incidente ocorreu em razão de um confronto entre os apoiadores e os opositores do presidente deposto Mohammed Mursi. Os apoiadores, islamitas, querem a restituição do presidente eleito e os opositores defendem o golpe realizado pelo Exército no último dia 3 de julho.

De acordo com a Folha, Silva foi tratado por médicos no hotel em que a reportagem está hospedada. Ele conta que os disparos, que ele filmou, começaram diante de um prédio da polícia, embaixo de um importante viaduto do Cairo.

Silva tentou retornar ao hotel de táxi, mas acabou parado em uma barreira militar. Demonstrando o ferimento, ele foi levado pelo próprio Exército egípcio, em um jipe, até o prédio. A equipe médica que avaliou o ferimento de Silva estabeleceu que ele não corre riscos. Há uma ferida na cabeça, já tratada pelo enfermeiro Ayman Mohsen.

"Eu não percebi, na hora", disse Silva, que vestia colete à prova de balas e um capacete quando foi ferido. "Senti um baque no capacete, então alguém ao redor me avisou que tinha recebido um tiro", completa.

Há dias o Exército ronda o hotel em que a reportagem está hospedada. Os funcionários orientam para que os hóspedes mantenham distância das janelas, por conta do risco de serem atingidos por balas perdidas.