segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Caçador de mundos

Foto:Pedro Martinelli

                             
                                Mais velho de oito irmãos, o fotógrafo Pedro Martinelli cresceu, como toda criança, ouvindo as histórias do pai e explorando o “mundo” além das paredes de sua casa em Santo André. A grande diferença, talvez, é que seu quintal de descobertas era um pouco mais amplo do que o da maioria de seus colegas. Junto com as anedotas de seu pai, Martinelli costumava acompanhá-lo nos passeios à Serra do Mar. Os dois se aventuravam na Mata Atlântica para caçar pássaros. “Foi minha escola”, avalia. Lições sobre animais, natureza, pessoas e vida. Nessa época, Martinelli ainda não imaginava que sua relação com o mato seria muito maior e muito mais intensa.
Foto:Pedro Martinelli

                             Aos 61 anos, mais de quatro décadas de sua história foram dedicadas à fotografia. Em seu novo livro, “Martinelli, Pedro”, recém-lançado pela editora Terra Virgem, é possível ver o conjunto de trabalhos do fotógrafo ao longo de todos esses anos. Em sua carreira, Martinelli fotografou de tudo, mas dedicou mais da metade de sua vida a cobrir a Amazônia, onde fez um retrato detalhado e, acima de tudo, humano da região. “Sempre fotografei pessoas”, explica. Desde 1994, mantém um trabalho independente e seu livro mais recente revela um diálogo entre alguns temas retratados em seus 40 anos de profissão. Com edição e curadoria de Roberto Linsker, foi a primeira vez que o fotógrafo abriu seu arquivo e Linsker percebeu esse corte. “Ele descobriu uma linguagem diferente, encostando as imagens e imaginando cenas. Tem fotos que eu não usaria num livro, mas gostei muito do resultado. Não tinha pensado nessas duplas”, conta.
Foto:Pedro Martinelli

                             A paixão por imagens foi descoberta por acaso em um de seus primeiros trabalhos com anúncios publicitários em um jornal de Santo André. Foi quando conheceu o “laboratório do Chico” e viu uma imagem sendo revelada na banheira. “Foi amor à primeira vista”, lembra. Sua primeira foto, de fato, veio ao “quebrar um galho” para o jornal quando foi chamado para substituir um fotógrafo que tinha faltado. “Vai lá e trata de fazer uma foto”, foi a recomendação que recebeu. “Fui conquistando meu espaço como fotógrafo e não podia errar”, diz. Não errou. Atuou no jornal O Globo, foi fotógrafo e editor de fotografia da revista Veja e dirigiu a área de serviços fotográficos no conjunto de revistas da Editora Abril.
Foto:Pedro Martinelli

                             Apesar do fascínio pela fotografia, Martinelli não deixa que o ego e a vaidade interfiram em seu trabalho. “O fotojornalista sério sabe que tem de ter humildade, para perceber que, se não estiver estruturado para agüentar o tranco, treme e não faz nada”. O esforço é grande. “Isso é uma profissão de homem”, brinca aos risos o fotógrafo que aprendeu, quando menino, a caçar imagens. Hoje, sem deixar nada escapar aos seus olhos, traduz com suas lentes as descobertas e realidades que encontra.

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