sábado, 28 de abril de 2012

Foco Ambiental:Memória Fotográfica


Foto:Rodrigo Braga


Por Ricardo Braga* 
Há tempos, quando morei na Amazônia, o meu sonho de consumo era comprar uma boa máquina fotográfica na Zona Franca de Manaus. Com a primeira bolsa do CNPq, comprei uma Assai Pentax, de objetivas trocáveis, com macro, tele e grande angular.

Logo me bateu uma febre de fotógrafo e sai clicando paisagens, gentes, bichos, plantas e águas. Mesmo assim, como ainda usávamos filme e não cartão de memória, procurava ser comedido porque cada foto copiada subtraía mais um pouco da bolsa que recebia.

Lembro que eu escolhia o alvo ou objeto da minha investida fotográfica através da lente, clicando quando a composição parecia razoável. Não me dava tempo de observar o entorno com calma, detectar nuances, cores e movimentos não convencionais. Dias depois, procurava me lembrar de detalhes da paisagem, das expressões de um grupo de caboclos não fotografados, das flores de plantas que cresciam às margens da minha caminhada ou de quem era aquele assovio que vinha da mata, mas muitas vezes não tinha em minha memória a referência da imagem. Procurava nas fotos e também não a via.

Foi aí que iniciei uma prática importante e reveladora: exercitar a memória visual. Na maior parte das pessoas, para impressionar a memória é insuficiente olhar; é necessário enxergar. E eu me incluo nesse grande grupo. Preciso que o objeto específico, ou a paisagem como um todo, me sensibilize e se insira na minha vida, mesmo que seja por um lapso de minuto, justificando a apreensão na memória, para desfrute futuro.

Na esteira dessa descoberta, passei, deliberadamente, a ir a algumas excursões sem a minha Pentax, exercitando a memória visual. Voltava para casa e relembrava com mais firmeza certos momentos, embora não pudesse provar a quem não estava comigo.

Foi assim que guardei na lembrança como absolutamente real a perseguição de um bando de caititus (porcos do mato ou catetos) por cachorros farejadores acostumados a ajudar caboclos amazônicos em suas caçadas. Naquele momento, despojado de conceitos do bem e do mal ou do que é politicamente correto na metrópole, acompanhei a rinha com a agilidade que os olhos me podiam oferecer, terminando com a morte de oito dos doze animais perseguidos e com escoriações graves em dois cachorros, provocadas por mordidas de desespero e raiva.

Lembro bem dos olhares assustados e dos dentes estalando daquelas presas encurraladas no oco de troncos caídos na mata e da avidez dos predadores, uns motivados pelo divertimento carnívoro de perseguir quem foge, outros estimulados pela carne assada nas próximas refeições. Não tenho registro fotográfico, mas não é estória de caçador.

Mais tarde descobri que o bom fotógrafo enxerga sem as lentes da máquina, usando-as para registrar o que já viu e firmou como belo, horrível, intrigante ou denunciador. A imagem fotografada não consiste só no objeto que a motivou, mas agrega o olhar e a interpretação instantânea do fotógrafo, que a vestiu de conceito e de uma maior ou menor verdade. A foto resultante pode até ser ilusão, desde que o artista por trás da lente a determine.

Agora, acabo de ganhar uma Canon semi-profissional de presente. Quem a me deu sabe o quanto eu gosto de ver e interpretar a paisagem e seus elementos. Cabe-me agora exercitar este olhar como artista para que a memória fotográfica dos momentos ímpares possa ser compartilhada, via cartão digital. Só o desafio já me dá prazer!

*Ricardo Braga é ambientalista,professor da UFPE

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Foto de menino com síndrome de Down é considerada "imprópria" pelo Facebook




O Facebook classificou como imprópria as fotos de um menino com síndrome de Down publicadas no perfil de sua mãe, Diana Cornwell, na Carolina do Norte (EUA). A conta de Diana na rede social chegou a ficar bloqueada por três dias por conta das imagens, informou o G1.

A mãe do menino concedeu uma entrevista ao site MSNBC em que afirmou que as imagens mostram seu filho participando de "olimpíadas especiais". Diana também ressaltou que, se ele fosse mais velho, a classificação feita pela rede social poderia trazer problemas graves.

"Eu acho que o Facebook precisa rever sua política de marcação de fotos. Se você marca uma foto, é preciso enviar para a rede social o motivo pelo o qual a marcou e, ainda, o Facebook precisa avaliar o motivo desta marcação antes de decidir bloquear a imagem", declarou Diana.

O Facebook enviou um pedido de desculpas pelo erro cometido. "A foto foi retirada do site por um equívoco. Pedimos desculpas por qualquer inconveniente que isto pode ter causado e esperamos que ela continue a publicar as experiências de seu filho nas olimpíadas especiais no Facebook", afirmou o site.

Roberto Freire explica

Foto:Leandro Cunha

Sorvete objetivo


quinta-feira, 26 de abril de 2012

Brasileiro ganha prêmio mundial de fotografia por imagens da guerra civil na Líbia


Foto:André Liohn

A cobertura da mais sangrenta rebelião da Primavera Árabe, a guerra civil da Líbia, rendeu a um brasileiro o Robert Capa Gold Medal, um dos mais prestigiados prêmios de fotografia do mundo.
O vencedor da edição 2012 do prêmio – que foi instituído em 1955 – é o paulista André Liohn, 39 anos. Correspondente de guerra freelancer há mais de uma década, já cobriu conflitos na Somália e Síria, entre outros locais.

Ele realiza trabalhos como fotógrafo e cinegrafista para empresas brasileiras ou estrangeiras, como a CNN norte-americana e a organização de defesa dos direitos humanos Humans Rights Watch. Foi para esta última Organização Não Governamental (ONG) que Liohn cobriu do início ao fim o conflito na Líbia. Ele foi premiado por um grupo de 12 fotos tiradas em Misrata, a cidade mais castigada pela guerra, que ficou dois meses sitiada por tropas do ditador Muamar Kadafi, entre março e abril de 2011.

Foi em Misrata que Liohn testemunhou a morte de dois colegas, britânico Tim Hetherington e ao americano Chris Hondros, seus amigos. Os dois morreram em consequência de um disparo de morteiro e seus corpos foram retirados da Líbia por esforço de Liohn, que ajudou a transportá-los de barco para fora do campo de batalha. Ajudou o fato do repórter brasileiro conhecer um pouco do idioma árabe.

Hondros também tinha sido ganhador do Robert Capa Gold Medal, em 2005. Hetherington concorreu ao Oscar com um documentário sobre a Guerra do Afeganistão. Os dois morreram em 20 de abril de 2011 e o próprio Liohn quase foi morto em Misrata, cinco dias depois.

Liohn e um grupo de 10 premiados fotógrafos de guerra criaram este ano o projeto ADIL (Almost Dawn in Libya), que consiste de coleta de fundos para doações aos líbios, a partir da renúncia dos fotógrafos a direitos autorais de fotos feitas na guerra civil líbia.

Eles coletam contribuições de ONGs e também realizam exposições itinerantes com material fotográfico coletado durante a guerra. O objetivo é promover uma reconciliação do povo líbio, tanto que as fotos contam com colaboração de jornalistas que cobriram os dois lados em conflito.

Desde Nova York, onde está para receber o prêmio, Liohn concedeu por skype esta entrevista a Zero Hora:

Zero Hora — Este é o maior prêmio da sua carreira?

André Liohn — É o mais importante. Creio que é o mais importante prêmio de fotografia de guerra, no mundo. É uma honraria e tem muita importância para a nossa profissão. Sou o primeiro sul-americano (e o primeiro brasileiro) a ser contemplado com a medalha Robert Capa em 57 anos de prêmios. Espero que isso sirva para que, no Brasil, o fotojornalismo ganhe impulso mais crítico e independente. Tem muita gente fazendo trabalho bom por aí, mas tem de sair do país, para ganhar um bom espaço. Fotojornalismo não é apenas cobrir pauta e voltar para casa horas depois. Nem precisa ser devaneio estético. Pode ser um meio termo, um bom trabalho de pesquisa, que retrate uma cultura em meio ao conflito.

ZH — Um dos últimos vencedores desse prêmio foi o Chris Hondros, fotógrafo a quem você ajudou nos últimos instantes de vida. Isso lhe diz algo?

Liohn — Dia 20 fez um ano da morte do Chris e dia 25, quando recebo este prêmio, faz um ano que eu próprio quase morri. São coincidências intrigantes.

ZH — Como está o projeto ADIL, de ajuda à Líbia?

iohn — Procuramos ir além do jornalismo. Viramos interlocutores da reconciliação dos líbios, é uma tentativa de contribuir para isso. É um projeto novo e ambicioso. Dia 7 de maio volto à Líbia, imprimo catálogos e começo a montar a exposição itinerante. Será bom para os líbios voltar à vitrine internacional, agora de forma positiva. A situação lá melhorou bastante, embora existam algumas escaramuças.

ZH — Quais seus planos imediatos de cobertura de guerra? Síria?

Liohn — Estive na Síria em dezembro. Agora não dá para ir, nenhuma empresa está bancando, em decorrência dos riscos para os repórteres. O que é triste…O povo sírio precisa da presença da imprensa. Aquela história precisa ser documentada. E sem apoio de jornais ou TVs, não penso em retornar. É difícil enfrentar riscos, sem sequer a certeza de vender o material e ter um apoio logístico.

O prêmio

A Medalha de Ouro Robert Capa homenageia o fotógrafo húngaro radicado na França Robert Capa. Ele cobriu os mais importantes conflitos da primeira metade do século XX, como a Guerra Civil Espanhola, a guerra entre chineses e japoneses, a Segunda Guerra Mundial em vários frontes (Londres, Itália, Normandia, a libertação de Paris), conflitos étnicos no Norte da África, a guerra árabe-israelense ea primeira guerra da Indochina (Vietnã), onde pisou numa mina e morreu, em 25 de maio de 1954.

domingo, 22 de abril de 2012

Paul Pernambucano

Paul McCartney segura bandeira de Pernambuco e em bom português dispara:"eita povo arretado"(Foto:Apolonio Melo)

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Fotógrafo da Folha de Pernambuco é agredido por ex-prefeito de Bezerros


O repórter fotográfico da Folha de Pernambuco, Allan Torres, que acompanhava as repórteres Jamille Coelho e Juliana Sampaio no flagrante na casa da prefeita Bete de Dael (PR), foi agredido fisicamente pelo marido dela, que também é ex-prefeito do município de Bezerros. O repórter sofreu escoriações no braço, depois da tentativa de captura do seu equipamento de trabalho, com o intuito de apagar o registro das imagens de populares recebendo dinheiro em frente a sua casa.

Para proteger a si mesmo e o material registrado no equipamento, o fotógrafo fugiu do marido da prefeita, que é conhecido na cidade por Dael. Mesmo assim, Allan teve que iniciar uma rota de fuga correndo, visto que continuou sendo perseguido por cerca de seis homens, que tentavam capturá-lo, a mando de Dael, que gritava: “Peguem o fotógrafo”. Neste momento, as repórteres estavam apurando informações e conseguiram confirmações de algumas pessoas, que afirmaram que “a prefeita nos dá entre R$ 5 e R$ 10, em troca do número do nosso título de eleitor, para comprarmos remédios e alimentos”.

Entretanto, com receio de sofrerem algum tipo de represália dos aliados da prefeita também tiveram que deixar o local em fuga. Por sorte, os três foram resgatados pelo carro do jornal que estava em outro quarteirão. Após alguns momentos de tensão, a reportagem da Folha seguiu para o seu destino original da manhã de ontem, que era a entrega de retroescavadeiras no município de Bonito, realizada pelo governador do Estado, Eduardo Campos (PSB).

Ciente do ocorrido em Bezerros, o governador determinou que uma escolta da Casa Militar acompanhasse a equipe até a Delegacia de Bonito, onde foi registrado um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) pela agressão sofrida, tendo como testemunhas as repórteres Jamille e Juliana. Allan Torres ainda foi submetido ao exame de corpo de delito no hospital municipal, onde foi comprovada a lesão corporal dolosa. Ainda assim, para garantir a integridade física de toda a equipe, Eduardo Campos recomendou que a escolta acompanhasse todo o percurso do carro da reportagem de volta para o Recife.

Vai encarar?