quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Fotógrafa de jornal baiano é detida pela PM


                               A fotógrafa do jornal Correio da Bahia, Marina Silva, foi detida por policiais militares na manhã desta quinta-feira (11). Ela cobria a morte do sargento das Rondas Especiais (Rondesp), Fábio Nascimento Cintra, no bairro Tancredo Neves, quando recebeu voz de prisão por um dos oficiais da corporação.

                                Segundo a versão da PM, ela teria desobedecido uma ordem quando registrava os policiais no local do crime. Na redação do jornal, a chefe de reportagem, Linda Bezerra, informou que o departamento jurídico do Correio foi acionado e os advogados foram ao 11º Distrito Policial acompanhar o caso.

                                Linda disse que o jornal recebeu a informação assim que a prisão ocorreu. "O que sei é que Marina havia solicitado aos policiais para que se virassem de costas a fim de não ser identificados nas fotos". Ela contou que ainda não obteve a versão da fotógrafa.

sábado, 6 de agosto de 2011

O clic que não volta


                               Na fotografia o instante é crucial. Basta uma fração de segundos para que a imagem se modifique - e a foto seja perdida. Em grandes coberturas como Jogos Olímpicos e Copa do Mundo, por exemplo, além de todo o equipamento, os fotógrafos carregam também muita concentração e precisam torcer para estar no lugar certo no instante perfeito. "Não dá pra fazer tudo nessas coberturas e nesse tipo de trabalho contamos muito com a sorte", comenta Jonne Roriz, fotógrafo do jornal O Estado de S. Paulo há 10 anos.

                               Reconhecido por seu trabalho com esportes, Rorriz cobriu na última década dois Jogos PanAmericanos (República Dominicana, 2003 e Rio de Janeiro, 2007), duas Copas do Mundo (Alemanha, 2006 e África, 2010), duas Olimpíadas (Atenas, 2004 e Pequim, 2008), além de GPs de Fórmula 1 e mundiais de natação e atletismo.

                               Em anos de profissão, Roriz acumulou muitas histórias de bastidores. Algumas das mais marcantes aconteceram durante as Olimpíadas de Atenas, em 2004, quando registrou a estética "bolha" formada pelos precisos movimentos de Michael Phelps nas piscinas, mas perdeu uma imagem que ele considera "a" foto das Olimpíadas.

A "bolha de Michael Phelps,ouro nos 400 medley.(Foto:Jonne Roriz)

                                A tal bolhinha do Phelps custou três dias de trabalho de Roriz. "Eu vi a foto acontecer na minha frente e cliquei, mas foi tarde demais. Nesse dia perdi a foto e fiquei triste", conta. Um colega de Roriz explicou que a bolha só se forma na prova de 400 Medley. "Sabia que seria preciso voltar no dia seguinte e tentar novamente. Pedi para a Heleni Felippe [então chefe da equipe de jornalistas do Estadão que cobria as Olimpíadas]: Posso voltar amanhã? Ela respondeu: Volta lá e faz essa foto". Roriz conta que Heleni sempre acreditou em seu trabalho. "Muito do conhecimento que tenho na área esportiva devo a ela, que sempre foi muito paciente comigo", diz. 

                                No dia seguinte Roriz voltou para a piscina mas Phelps não nadou os 400 medley.  Era preciso mais um dia para tentar de novo. "Heleni chegou e falou: se você não fizer essa foto, desista". Roriz foi direto "Hoje vou te surpreender". Insistiu. Ficou esperando o momento certo para clicar e fez a foto. Ansioso, olhou a câmera em seguida. "Fiquei muito feliz. Liguei pra ela e falei: estou com a foto. Consegui!". Heleni respondeu: "Finalmente, né! Já ia pedir pra ele dar uma paradinha no meio da prova pra você [risos]". Phelps ganhou a prova, bateu o recorde mundial e Roriz ganhou o prêmio Estado de Jornalismo com a imagem.

O maratonista Vanderlei Cordeiro da Silva,bronze nas olimpíadas de Atenas.(Foto:Jonne Roriz)

                                     Apesar da satisfação de ter, enfim, conseguido a imagem, Roriz acredita que a foto das Olimpíadas de Atenas foi outra - uma que ele perdeu. O maratonista brasileiro, Vanderlei Cordeiro da Silva liderava a prova de atletismo com uma vantagem de 40 segundos. Por volta do 36º quilômetro da prova, um manifestante invadiu a pista e arrastou Vanderlei para a calçada. Ele perdeu o ouro - e Roriz, a foto.
                                     Enquanto a maioria dos jornalistas brasileiros editava as imagens e escrevia sobre a final do vôlei masculino, que ganhou a medalha de ouro, Roriz viu pela TV da sala de imprensa Vanderlei tomar a liderança na prova. "Ninguém acreditava que o brasileiro fosse chegar entre os primeiros. A Heleni, que estava ao meu lado, me avisou que se ele continuasse com o mesmo desempenho eu teria que sair correndo pra fazer a chegada", conta.

               Mas, por causa da prova, a cidade estava fechada para acesso de veículos e para chegar a um local próximo de Vanderlei seria preciso correr - literalmente. Roriz saiu junto com dois colegas de outros veículos e trocava informações pelo telefone com Heleni. "Eu dizia quantos quilômetros faltavam para ir até o local com a melhor visão, e ela dizia quanto tempo o Vanderlei ia demorar pra chegar. Eram 6 km para ele, e eu tinha que correr 2 km no mesmo tempo", recorda. Mas quando estavam completando os primeiros 500 m, ela ligou falando: "Podem voltar, vocês perderam a foto das Olimpíadas. O Vanderlei foi agarrado por um louco". 

Heleni,chefe da equipe de jornalistas que cobria as olimpíadas de Atenas.(Foto:Jonne Roriz)

                  Após a desagradável notícia, Roriz voltou para tentar uma boa posição no Estádio Olímpico, para fazer a foto de Vanderlei no pódio recebendo a medalha de bronze. "Alguns jornalistas tentaram chegar a tempo mas não conseguiram. Um dos fotógrafos caiu e quebrou os equipamentos. A Heleni também andou muito para chegar a tempo para a entrevista coletiva, o que era quase impossível para os profissionais que estavam 'trancados' no centro da cidade", relembra. Uma maratona paralela para os jornalistas e fotógrafos. 

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Como os fotógrafos trabalham


                            O último Profissão Repórter, da Rede Globo, mostrou o trabalho dos fotógrafos em diversas vertentes. Os Paparazzi revelam os truques de como chegam nas celebridades, os fotojornalistas passam as manhas de como se portar em abordagens policiais e o acompanhamento de uma expedição nas maravilhas da natureza pela Amazônia.

                             Os fotógrafos de celebridades ficam em pontos estratégicos da cidade do Rio de Janeiro, onde artistas, principalmente da Globo, costumam passar seus momentos de folga. A concorrência é grande. Para se ter uma idéia, 14 paparazzi ficam em apenas duas das várias praias, procurando por famosos. A estratégia depois da praia, é ir para os restaurantes, onde geralmente as pessoas de prestígio social vão. E aí que reside uma característica que todo fotógrafo tem que ter: paciência. Às vezes ele espera três horas somente para fazer uma foto.

                             Fotógrafo das páginas policiais tem que andar de colete. Usuários de crack pedem para não ser em fotografados, mas a polícia faz questão de facilitar o trabalho e expõem os rostos dos infratores.No meio da linha de tiro, eles não estão nem aí, querem a melhor foto.

                             Fotógrafo há 40 anos, Araquém Alcântara, foi fazer uma expedição na região amazônica. A paisagem favorece para ele fotografar fauna, flora e pessoas com seus hábitos culturais. Para ele, mais do que uma foto bonita, fica o trabalho para mostrar a comunidade sobre a importância do lugar em que moram. Uma das dificuldades é acordar cedo para poder prestigiar as coisas mais bonitas da natureza.