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| Paulo Fehlauer. Foto: Rodrigo Marcondes / Garapa |
Paulo Fehlauer (29) é fotógrafo, jornalista, produtor multimídia e integrante do coletivo Garapa (SP). Formado em Jornalismo pela Universidade de São Paulo (USP), começou a fotografar durante a faculdade e publicava seu trabalho no jornal universitário. Influenciado por grandes nomes do fotojornalismo, como Henri Cartier-Bresson e Robert Capa, buscou inspiração também nos trabalhos de Stephen Shore, William Eggleston, Pedro Meyer, Joan Fontcuberta, entre outros. Atualmente, diz com orgulho que sua inspiração surge dos trabalhos de amigos próximos como Pedro David, Pedro Motta, João Castilho, Gui Mohallem e dos parceiros de Garapa, Leo Caobelli e Rodrigo Marcondes. Com 6 anos de experiencia em produção multimídia, Paulo conversou com nossa equipe em novembro de 2011 para contribuir com a matéria sobre cinematografia, publicada na edição atual da Foto Grafia (Muito além da luz em movimento, p. 40-49).
Como você define a linguagem dos vídeos do Garapa?
Costumamos dizer que temos uma ‘base documental’, mas não nos prendemos à necessidade de ser objetivos. Nossos projetos são extremamente subjetivos, porque refletem sempre a nossa relação com os temas e personagens. Acho que acabamos passando por diversos campos, ou narrativas, mas sempre (até hoje) com os olhos voltados para o mundo à nossa volta.
Se tratando de um coletivo, existe alguma distribuição de cargos na hora de produzir um vídeo?
Nós buscamos delegar funções de acordo com o projeto, por uma questão de organização, o que não significa que exista uma hierarquia na produção. Geralmente quem está mais envolvido no projeto acaba tomando as rédeas de sua execução, mas de qualquer forma o trabalho é sempre resultado de um processo de debate bastante intenso.
Qual relação existe entre a profissão fotógrafo e videomaker? Cite também as principais diferenças, se é que existem.
Eu diria que é uma questão de auto-afirmação. Essas fronteiras sempre foram bem difusas e hoje isso é cada vez mais visível. Nós continuamos nos denominando fotógrafos, o que não quer dizer que só trabalhemos com imagem estática. Acho que o próprio conceito de fotografia (e de fotógrafo) pode ser ampliado para incluir essas outras narrativas. Por isso não vejo grandes diferenças entre as duas profissões, é mais uma questão de nomenclatura.
E qual relação existe entre a fotografia estática e a fotografia de cinema?
Na minha opinião, elas sempre foram irmãs, sempre caminharam juntas, tanto que muitos fotógrafos e diretores de cinema também tem uma forte produção de fotografia estática (Wim Wenders, por exemplo). Trata-se apenas de uma questão de formato e de narrativa.
O que você entende por cinematografia?
É uma área com a qual não estou tão familiarizado, pelo menos não na forma de produzir. A produção de cinema, em geral, envolve muita gente e muita estrutura, o que é totalmente diferente da forma como nós produzimos os nossos vídeos. Acho que estamos mais próximos do famoso clichê “uma câmera na mão e uma ideia na cabeça”, e nossa produção está muito mais ligada ao atual cenário audiovisual independente e de distribuição online.
Existe um estilo/linguagem de fotografia em movimento que podemos chamar de brasileira?
É bem difícil responder essa questão. Pode-se fazer generalizações, buscar coincidências e tendências, mas não acho que seja possível definir um estilo como exclusivamente brasileiro, ainda mais considerando que a troca de influências é cada vez mais globalizada. No entanto, considero que essa “identidade” brasileira passa a ser muito mais uma questão de auto-afirmação (mais uma vez) do que de definição – ela é construída no dia a dia.
Qual a opinião do Garapa sobre a atual produção de vídeo brasileira?
Existe uma produção muito interessante que não está necessariamente em salas de cinema ou festivais. A internet é uma fonte praticamente inesgotável de boas (e péssimas também) referências. Considero esse o principal benefício dessa “era da convergência”, e principalmente da possibilidade de distribuição online.
Para ser operador de câmera é necessário possuir conhecimento fotográfico ou unicamente técnico?
O conhecimento técnico é a parte mais fácil de adquirir. Toda a informação está na rede, basta procurar. Portanto, é claro que o que diferencia um bom profissional do medíocre não é só a técnica, mas toda a bagagem de conhecimento que ele traz consigo, que muitas vezes não precisa nem ter relação com fotografia – é a forma como ele vê e interpreta o mundo.
Qual sua opinião sobre a fusão das máquinas fotográficas com as filmadoras? Cite o principal impacto disto no fazer fotográfico e cinematográfico
Considero isso um movimento natural da tecnologia – é só ver o que se tornaram os telefones celulares. E esse movimento foi essencial para o nosso trabalho, porque simplificou muito os processos que nós já realizávamos (produção multimídia) e trouxe um aporte de qualidade que antes só era possível com equipamentos muito mais caros e complexos. O principal impacto acho que é esse, de simplificar os processos e tornar mais equilibrada a relação entre custo e qualidade.

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