No início de sua carreira, o repórter fotográfico trabalhou com a cobertura policial. Viu cadáveres e cenas fortes. Apesar disso, Daniel nunca teve um desequilíbrio emocional. Em seu trabalho, o jornalista consegue separar o lado profissional do pessoal.
O fato do jornalista não se emocionar ao cobrir uma tragédia, não o torna insensível. O envolvimento emocional do jornalista no fato atrapalha a eficácia da apuração. “Quando não há isenção, não há credibilidade e não há uma notícia exposta ao público de uma maneira imparcial que é o que se espera de um bom jornalista.” Essa é a opinião de Daniel Derevecki que trabalhou alguns anos com cobertura policial.
Daniel Derevecki é repórter fotográfico há dez anos. Especializou-se em Fotojornalismo Corporativo e atuou como repórter fotográfico do jornal Tribuna do Paraná e Gazeta do Povo. Daniel recebeu prêmios Abracopel de Jornalismo e Sangue Bom do Jornalismo Paranaense. Atualmente trabalha para empresas como Petrobras, Vale, TV Globo e Grupo Positivo.
Confira abaixo a entrevista na íntegra:
Em sua opinião, a emoção do jornalista atrapalha na hora de fazer a apuração?
É preciso entender a questão do envolvimento do jornalista desde o princípio. O jornalista não deve se envolver com a notícia em nível nenhum. O jornalista não deve se envolver com o fato, porque quando não há isenção, não há credibilidade e não há uma notícia exposta ao público de uma maneira imparcial que é o que se espera de um bom jornalista, seja ele um jornalista de texto, falado no rádio, texto na TV, impresso, repórter fotográfico ou no caso de um jornalista de imagem. Com o envolvimento emocional pode parecer que o jornalista ou o repórter fotográfico é insensível por ver tragédia e não se emocionar. Mas não é. Existem diferenças entre a pessoa Daniel Derevecki e o repórter fotográfico Daniel Derevecki. Eu preciso separar as coisas.
Você mencionou que o jornalista não deve se envolver emocionalmente com o fato, que dá para separar o jornalista do ser humano. Mas você acredita que esse envolvimento atrapalha na apuração do acontecimento?
Atrapalha. Se o profissional tiver emocionalmente envolvido, numa situação dramática, ele vai estar emocionalmente abalado. O jornalista não terá o equilíbrio emocional adequado para apurar o fato corretamente.
Quando cobre uma tragédia, você tem uma dificuldade em lidar com suas emoções?
Não tenho. No início da minha carreira trabalhei com cobertura policial. No começo fiquei bastante abalado de presenciar ao vivo uma cena de crime que antes só via pela TV, impacto de ver um cadáver ali. A face da morte me assustava no início, quando eu olhava a vítima de um crime, a pessoa estava de olho aberto com o olho fosco, dava pra ver a aflição da vítima. Apesar do incômodo, não cheguei ao ponto de chegar em casa e não conseguir dormir, como já ouvi casos de colegas. Consigo separar bem.
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